domingo, 28 de novembro de 2010

Guerra nos morros x Sociologia de biblioteca #2

Um outro comentário após a leitura de mais um artigo acerca da crise no Rio (abaixo).
http://rudaricci.blogspot.com/2010/11/uma-primeira-resposta-minha-nota-sobre.html

Gave up. Citar Žižek, Iraque e Afeganistão não dá link. Não se trata de ação externa, ingerência internacional com interesses escusos, no momento é só o Estado respondendo aos "bondes" sob pena de o silêncio cristalizar de vez sua inépcia. Pior foi tentar justificar como não terrorista a ação dos traficantes no Rio comparando-a com os ataques do PCC em 2006. Absurdo. O PCC como substituto do poder público responsável pela paz e ordem nas periferias paulistas, a relação "respeitosa, amistosa" entre traficantes e moradores nos morros do Rio, um exagero, um delírio.
É o "funk" do crioulo doido!!!
E já que Žižek foi citado, interpreto-o - apressadamente, como o autor  - a meu favor, claro, com seu conceito de 'Coragem Ética':
"O verdadeiro esforço ético não está apenas na decisão de salvar vítimas, mas também – e talvez muito mais – na dedicação impiedosa de aniquilar aqueles que fazem delas vítimas."

Não dá pra ver a Globo...OK.
Nem dá pra levar a sério esses artigos.

Depois disso temos é que virar a página, estabelecer essa "nova etapa no RJ com um plano de controle social desses territórios."

Só isso é bom senso... e realidade.

sábado, 27 de novembro de 2010

Guerra nos morros x Sociologia de biblioteca

O comentário abaixo foi postado depois da leitura de dois artigos sobre a crise de segurança no Rio, a saber:
1- http://rudaricci.blogspot.com/2010/11/sobrarao-as-upps-o-terceiro-comando-e.html
2- http://rudaricci.blogspot.com/2010/11/upp-e-resistencia-do-trafico-no-rj.html

As análises sociológicas aqui (at this point) são de um academicismo congelante, e inóquo. Não é à toa que certos intelequituais (como diria o Millôr), são tão úteis como a 'Teoria dos Fractais' numa enchente na Tereza Cristina no bairro Betânia, quando D. Maria viu, desolada, seu parco patrimônio (um fogão, uma geladeira velha, algumas panelas e a cama) boiando pra longe. Septicemia é antibiótico. Discute-se "a relação" depois. José Cláudio e Misse estão delirando (ou m..turbando)... na biblioteca. "Capitulação" (espero que a dos bandidos, não a do Estado) vem depois. Primeiro "vence-se" a guerra. E seja lá qual for a motivação por trás de tudo isso, uma coisa é clara: é guerra (há muito tempo). Agora precisamos é de um "capitão Nascimento"(quem dera), de um estado responsável, não de catedráticos propondo simpósios, seminários e o diabo. Desafio-os a se instalar no fogo cruzado e discutir tudo isso do front, longe dos livros.
Perderam o chão, enquanto os moradores perdem tudo...Mas "trata-se de expediente dos mais antigos, que perpassa toda história da política humana"... também.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

51 não. 52!

Notei que escrevi 51 posts (antes desse), desde que comecei em Abril último.
Como aprecio uma boa cachaça mineira, cachaça(!!!), embora não beba (minha resistência para o álcool está limitada à cerveja uma vez por semana. Mesmo assim, é um dia de bebum e três de recuperação. Legado dos meus 44), resolvi mudar esse número... mais que depressa.

Vai ai o quinquagésimo segundo, só pra me salvar de olhar esse número "descambalístico" e me lembrar dessa toxina feita pra gringo e caipirinha (ou talvez uma arma nuclear, bacterológica, química, hidrogênica desenvolvida na Área 51 no deserto de Nevada com ajuda extraterreste).
"Lespa".

Liberdade, liberdade...

Transcrevo do Saite do Millôr, na íntegra (esse copy/paste é mesmo um achado pra falta de inspiração):

"Liberdade, Liberdade" estreou no dia 21 de abril de 1965, no Rio de Janeiro, numa produção do Grupo Opinião e do Teatro de Arena de São Paulo.
Os papéis foram representados por Paulo Autran , Nara Leão e Oduvaldo Vianna Filho com a participação especial de Tereza Rachel.

Comentários
A LIBERDADE DE MILLÔR FERNANDES
Também não sou um homem livre. Mas muito poucos estiveram tão perto. (Epígrafe para o livro Um Elefante no Caos.)

Aceitei, de Flávio Rangel, o convite para escrever com ele o presente espetáculo, por dois motivos: 1º) Porque sou um escritor profissional. 2º) Porque acho esse negócio de liberdade muito bacana. Não tenho procurado outra coisa na vida senão ser livre. Livre das pressões terríveis da vida econômica, livre das pressões terríveis dos conflitos humanos, livre para o exercício total da vida física e mental, livre das idéias feitas e mastigadas. Tenho, como Shaw, uma insopitável desconfiança de qualquer idéia que já venha sendo proclamada por mais de dez anos. Mas paremos por aqui. Isso poderia se alongar por várias laudas e terminar em tratado que ninguém leria. Tentamos fazer um espetáculo que servisse à hora presente, dominada, no Brasil, por uma mentalidade que, sejam quais sejam as suas qualidades ou boas intenções, é nitidamente borocochô. E cuja palavra de ordem parece ser retroagir, retroagir, retroagir. E como não queremos retroagir senão para a frente, mandamos aqui a nossa modesta brasa, numa forma que, para ser válida e atingir seus objetivos espetaculares, tinha que ser teatralmente atraente. Se conseguimos ou não o nosso objetivo deverão dizê-lo as poltronas cheias (ou vazias) do teatro. Fizemos, em suma, uma liberdade como podia concebê-la a modéstia e as limitações de nossas mentalidades - minha e de Flávio Rangel - sottosviluppatas. Mas também vocês não iam querer um liberdadão enorme, feito aquela que está em Nova Iorque. A gente tem que começar por baixo. Como os Estados Unidos, por exemplo: começou com um país só.

Marcha à ré.

Tony Judt em 'Reflexões Sobre Um Século Esquecido - 1901-2000' foi perturbadoramente lúcido. Não mais um teórico, intelequitual de simpósios e entrevistas, mas como Orwell, alguém cuja história pessoal o credencia. Viveu pois muito do que falou e escreveu.

Em Março de 2008 foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica. Em Outubro de 2009, em consequência das complicações de sua doença perdeu os movimentos do pescoço para baixo, tendo sua morte no dia 6 de agosto de 2010. (fonte: Wikipédia)
Também da Wikipédia trago o seguinte:
A Marxist Zionist as a young man, he dropped his faith in Zionism after youthful experience in Israel in the 1960s and came to see a Jewish state as an anachronism, and moved away from Marxism in the 1970s and 1980s. In later life, he described himself as "a universalist social democrat".

É só lê-lo para constatar sua agudeza de raciocínio, método científico, sem falar no estilo, que me enche de inveja. Fino. Magnífico.

Do Epílogo do livro citado transcrevo na íntegra alguns parágrafos absurdamente oportunos:
"Os críticos do intervencionismo estatal de hoje apresentam duas acusações convincentes contra ele. A primeira é que a experiência de nosso século revela uma propensão e uma capacidade inimaginável em épocas anteriores para a regulamentação e repressão não só das pessoas como também das instituições, das práticas sociais e da própria estrutura da vida cotidiana. Agora sabemos, e não podemos ignorar aquilo que os fabianos[1], os teóricos fundadores da social-democracia, os sonhadores utópicos dos sistemas coletivistas, e mesmo os bem-intencionados defensores paternalistas da engenharia social não sabiam ou preferiram esquecer: que o Estado superpoderoso, sob qualquer bandeira ideólogia, apresenta uma alarmante e provavelmente inevitável  propensão de devorar seus próprios filhos, bem como os de seus inimigos.
A outra lição que precisamos aprender com a experiência de nossa época é que o Estado, assassino ou benevolente, é um agente econômico espantosamente ineficaz. Indústrias nacionalizadas, fazendas estatais, economias centralizadas e planejadas, comércio controlado, preços fixos, produção e comércio gerenciados pelo governo não funcionam. Não produzem os bens, e como consequência não distribuem adequadamente, mesmo que a promessa de um sistema de distribuição mais equitativo seja normalmente a base de seu encanto inicial.
Nenhuma dessas lições é inteiramente nova. Críticos do mercantilismo, no século XVIII sabiam que as economias controladas pelo Estado eram ineficientes e causadoras de sua própria ruína. Os oponentes das monarquias autocráticas, dos puritanos ingleses aos iluministas franceses e novelistas russos do século passado, todos já haviam definido os pecados e deficiências de um poder central restrito e seu efeito paralisante no potencial humano. O que o século XX nos ensina é uma versão simples e atualizada do ensinamento de Lord Acton[2]: o poder absoluto do Estado destrói absolutamente, e um controle estatal completo da economia a distorce completamente. O desastre do facismo, de curta duração, e a tragédia mais longa do comunismo podem ser citados como prova do processo conhecido de nossos antepassados, e do qual o sistema Colbert[3] e o ancien régime[4] foram precursores tímidos. Hoje sabemos que uma versão determinada do liberalismo que conceda o máximo de liberdade e iniciativa em todas as esferas da existência é a única opção possível."

Mas estamos na contramão. De mãos dados com Chávez e outros líderes duvidosos.
Do Millôr: "Dividimo-nos orgulhosamente em 60% de analfabetos, 40% de ignorantes e o resto de governantes". Por ai...

Foi Judt que morreu sem os movimentos do pescoço para baixo.
Mas é cá embaixo ("honni soit qui mal y pense", tô falando é do hemisfério sul), onde continuamos vivos, porém atacados por um tipo de 'Ataxia cerebelar de início tardio'.
Aqui tudo indica que perdemos os movimentos do pescoço pra cima... na sinapse.
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[1] Socialismo fabiano é o nome atribuído ao movimento intelectual criado pela organização britânica "Sociedade Fabiana" no fim do século XIX cujo objetivo era a busca dos ideais socialistas por meios graduais e reformistas, em contraste com os meios revolucionários propostos pelo marxismo e Socialização fascista. No poder, os fabianos dão uma maquiada na economia capitalista enquanto fomentam por canais aparentemente neutros a disseminação de idéias socialistas, promovem a intromissão da burocracia em todos os setores da vida (não necessariamente os econômicos) e subsidiam a recuperação do socialismo revolucionário. Quando este está de novo pronto para a briga, eles saem de cena envergando o rótulo de “direitistas”, que lhes permitirá um eventual retorno ao poder como salvadores da pátria se os capitalistas voltarem a achar que precisam deles para deter a ascensão do marxismo revolucionário. Então novamente eles fingirão salvar a pátria enquanto salvam, por baixo do pano, o socialismo. (fonte: Wikipédia)
[2] John Emerich Edward Dalberg-Acton, primeiro Barão Acton, (Nápoles, 10 de janeiro de 1834 — Tegernsee, 19 de junho de 1902) foi um historiador britânico famoso pela frase "o poder tende a corromper e o poder absoluto corrompe absolutamente". Ele é conhecido como Lord Acton por ter sido o primeiro Barão de Acton. (fonte: Wikipédia)
[3] Colbertismo ou Industrialismo nasceu no século XVII e é o Mercantilismo característico da política econômica francesa. Teorizado e promovido por Jean-Baptiste Colbert, controlador geral das finanças do rei Luís XIV. Uma vez que a maior parte do comércio internacional se fazia por meio de metais, como o ouro e a prata, o colbertismo propunha que o volume de exportações fosse maior que o de importações para que se obtivesse uma balança comercial favorável. As conseqüências desta política foram um protecionismo rígido que visava, entre outras coisas,o incremento da produção de manufaturados; por outro lado, uma série de conflitos econômicos e guerras sangrentas aconteceram neste período. O maior legado das desvantagens desse tipo de política econômica foi o endurecimento das estruturas econômicas e os processos e a redução do espaço para a inovação, através de uma rede de regulamentos e de controles meticulosos. (fonte: Wikipédia)
[4] Segundo a historiografia da época da Revolução Francesa, o Ancien Régime desenvolveu-se a partir da monarquia francesa do Medievo e foi derrubado séculos depois, em 1789, pela Revolução Francesa. O poder no Antigo Regime baseava-se em três pilares: a monarquia, o clero e a aristocracia. A sociedade era dividida em três Estados: o Primeiro Estado, o clero; o Segundo Estado, a nobreza; o Terceiro Estado, o resto da população. (fonte: Wikipédia)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Perdi o respeito...

Perdi o respeito por esses intelequituais fabricados. Me enfarei de sua cultura sem alma, de sua erudição de manual, proposital, não incidental. A mesma das conclusões pedantes - e tolas -, sem brilho. Essa dos títulos de doutores, livros inúteis, entrevistas, simpósios, plenárias e o diabo. Essa das conclusões poéticas, apoteóticas, na mesma proporção que improváveis. Essa da linguagem rebuscada como cortina de fumaça para a mais absoluta falta de propósito.
Prestam-se, no máximo, a criar a aura de mito e extender seu fascínio sobre a horda de acólitos estultos. Esses que são uma subespécie da mesma horda que segue Inri Cristo, ou seguiram Forrest Gump quando esse começou a correr pelos Estados Unidos sem explicação alguma (pelo menos aqueles só existiram num filme de Hollywood).
Perdi o respeito por esses Intelequituais jukebox, crooners do pensamento.
Ando para os títulos, dou laço para a sapiência pasteurizada forjada sob o manto da originalidade e boa intenção, bem nascida. Embuste.
Não vejo mais as entrevistas, não leio mais os blogs. São falsos...

Prefiro o ácido... a alma, a opinião apaixonada. Originalidade.

Perdi o respeito...

domingo, 21 de novembro de 2010

Papo de avião

Aeroportos e viagens de avião parecem também transportar o ser humano a um mundo paralelo, muito além do destino prescrito no cartão de embarque. Mesmo depois da popularização do transporte, que tornou mais vantajoso voar que pegar um ônibus de Belô a Curitiba, por exemplo, as pessoas continuam reagindo como se estivessem num evento, numa apoteóse.
É fácil se deparar com todo o tipo de bizarrice.

Há os que são tomados por uma compulsão incontrolável de falar ao celular, nem que seja com a tia da vizinha da avô de uma amiga de infância que não via há 10 anos.
E dá-lhe palavrório: "estou no avião, decolo daqui a pouco..." Papo de uma relevância monumental, digno de repreensões das comissárias de bordo para que o passageiro obedeça a solicitação de "desliguem os celulares".

Há a turma dos óculos escuros e figurino de viagem.
Essa turma fashion é uma tribo descolada. Consideram a si próprios acima da plebe e com mais conhecimento e acesso ao universo misterioso dos aeroportos, salas vip e aviões (big deal). Afinal, eles são os representantes da estirpe SPFW da aviação nacional.

Há os executivos, empresários, doutores em aviação e reclamação, sempre ostentando seus cartões planitum, gold...whatever, e sacando - como Jesse James, o gatilho mais rápido do oeste - mais ligeiro que qualquer mortal comum:
"- Você sabe com quem está falando?"
Esses se acham acima da plebe por considerarem a si mesmos os aristocratas do ar, quase os donos dos céus do mundo.
Os fashion são até tolerados, porque sempre há uma moça bonita representando o grupo e, essa turma adora um caso com uma modelo fora do casamento.
O único problema é que se o avião cair, irão todos "juntos e misturados" ver São Pedro, pra desgosto deles... Ainda assim, muito provavelmente tentarão prioridade apresentando o cartão Elite Member na porta do céu.

A plebe é a plebe. Come de tudo o que oferecem como se um maldito sanduiche de queijo quente se transmutasse num banquete dos deuses só porque se está flutuando a 12000 pés de altura. Também são responsáveis por algumas das exigências mais insólitas, na tentativa desesperada de mostrar alguma intimidade e fazer parte do big group ("me traga uma pinga de pequi com cereja turca por favor...").

Retirar a bagagem é uma epopéia à parte. Somos todos, naquele momento, acometidos por uma ansiedade irracional, incontrolável.
Daí a frase mais comum disparada a cada 5 minutos por alguém mirando a esteira e projetando a cabeça erraticamente como um cuco tonto por sobre as pessoas e carrinhos que bloqueiam o acesso, cercando as malas :
"- A minha não veio. Oh vida...oh azar. Só acontece comigo".
Mais 10 minutos e a mala aparece, para felicidade geral da nação e saúde do ansioso quase a ponto de um ataque cardíaco ou colapso nervoso.

É um festival enfadonho.
Especialmente porque caso haja uma pane, diferentemente do Titanic, nem com cartão Gold ou Planitum, nem mesmo os óculos escuros de griffe e o figurino descolado, nem com o estusiasmo e a inocência dos neófitos em avião: o fim será extensivo a todos.
Da primeira à classe econômica, sem botes salva-vidas para os previlegiados.

Sem classe... Para o completo desespero da turma fashion. Iguais...