segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Cápsula do tempo. Respostas aos comentários dos comentários no Canto VI

Perdão, pequeno Baudelaire. Você chutou a porta e a tranca quebrou. E eu que pensara ter cerrado o "demolidor" em lugar seguro, vejo-o flanar de volta por aqui, estabanado, ainda que não mal intencionado. Peço-lhe que releve. Ele e eu, como Banner e Hulk da Marvel, não somos os vilões. Estamos mais para o "amante rejeitado", aquele coitado que ama demais, mas a despeito disso, é sumariamente desprezado e dai reage virulento, por quase 3 minutos. Mas é tudo confete. 

No entanto, como presumi que essa folia carnavalesca poderia ser-lhe útil (para o seu caminho para Damasco), ei-la.

(...)

Imagem produzida pelo Gemini


"Ele se julgava o demolidor"

Se sábio fosse, deixaria que o tempo  - o senhor da razão, postulava Sartre - cuidasse de controlar sua testosterona (ahhhh que saudade). Ou que resolvesse a minha falta dela (improvável). Que o tal senhor se incumbisse de aplacar ímpetos irrefletidos… ou me livrasse da pieguice da pseudo-sapiência anciã. Mas não… Não sou sábio… nunca fui. Portanto, dane-se.

Ahhh, antes disso, me lembrei de outra: “uma bichinha, bichinha…” 
- Sai pra lá Costinha, não me atrapalhe com pensamentos intrusivos. 

Continuando: quedas do cavalo, daquelas que instigam reflexões e auto-análises, são físicas, não quedam ensinadas por professores ou mestres, gurus ou ídolos, mesmo velhos ou sábios (tô virando um mestre na Paronomásia). Devem acontecer, serem vivenciadas, para que da experiência latu senso, como gosta, aprendamos alguma coisa (daqui para coach da Internet é um pulo. Chupa Pablo Lamaçal).

Perai… Não era isso também… deixe-me ver… hmmmmmmmmmmm 

Ah, voltei: eis que não sou sábio, e importunado pela assimetria de justificativas e contradições nos argumentos, não resisti a de novo (de novo, de novo) por em pratos limpos os pontos divergentes (coisa de cartesiano). 

1 - a razão é universal ou relativa?
2 - tudo é relativizável pelas lentes do éthos ou há verdades universais? 

A resposta que faz sentido pra mim é binária e mutuamente exclusiva: 
1 - universal; 
2 - Não; como bem sabe. 

Nota: pensei que deixara isso claro (de uma coisa me orgulho no meu cartesianismo insípido: não há prolixidade nem chorumelas, apenas  lógica, ou pelo menos o desejo seminal de ser lógico. Pão é pão e queijo é queijo). Se não ficou bem explicado, peço auxílio a meu oráculo.
- Gemini, help me please.
[O Silogismo da Prova
1. Suposição (Negação da Tese): A epistemologia não é universal; ela é puramente social (ou seja, a verdade de uma afirmação depende exclusivamente do contexto, grupo ou cultura).
2. Desenvolvimento: Se a validade do conhecimento é estritamente social, então dois grupos diferentes podem sustentar afirmações contraditórias (A e ~A) como sendo simultaneamente "verdades legítimas".
3. A Contradição: Se A e neg A são aceitos como verdade, a lógica colapsa. Em um sistema que aceita contradições, qualquer afirmação (por mais absurda que seja) pode ser provada como verdadeira. A "verdade" perde seu valor distintivo: se tudo é verdade, nada é verdade. Torna-se uma tautologia vazia.
4. O Absurdo: O conhecimento deixa de ser uma ferramenta de orientação na realidade e passa a ser apenas ruído social. Como não podemos operar em um mundo onde "está chovendo" e "não está chovendo" são verdades idênticas, a premissa inicial gera um sistema impossível.]

Tem mais, agora afunilando para a discussão sobre Russel, Marie Curie, Camus…
A estrutura "A ou então B" geralmente sugere que uma das coisas exclui a outra.
A: Russell é fruto do meio.
B: Curie e Camus são exceções que provam que o meio não é tudo.

Nesse caso, se A for verdade, B obrigatoriamente é falso. Se o intelecto é estritamente ambiental (A), então não existem "exceções" (B), pois o ambiente seria uma lei universal. Se existem exceções (B), então o ambiente não é a causa absoluta (Não A).

Porra Baudelaire, você precisa urgentemente estudar lógica antes de me pedir pra ler Certeau. E se tentar arredondar isso ai com o OU mutuamente inclusivo (vá pesquisar Lógica), meto-lhe logo essa:

A: OU Russell é fruto do meio.
B: OU Curie e Camus são exceções que provam que o meio não é tudo.

Possibilidades

A verdadeira e B verdadeira: antinomia-> Russell é fruto do meio ao mesmo tempo em que Curie e Camus provam que o meio não é tudo.

A falsa e B verdadeira: antinomia-> Russell lorde e rico não sendo fruto do meio implica outra exceção, diametralmente oposta à exceção de Curie e Camus (pobres e sem estímulos diretos vindos do ambiente. Transfugas??? Ambos??? Mas que diabo de "exceção" generalista é essa?). 

A verdadeira e B falsa: antinomia-> Russell fruto do meio enquanto Curie e Camus não mais exceções. Fruto do meio e não dão no mesmo.

Não dá meu… não dá. Tudo é tudo e nada é nada. Meus ovo, karai. Papo de maluco.

Pois bem, depois disso, se isso ainda me faz um colonizado, ocidentalizado, ok. E antes que venha com excuses… postulou sim que a razão e quase tudo mais é relativo ao éthos. Fez críticas a brancos, europeus, lordes usando tal argumento, ainda que sem saber ou formalizar, já que usava(ou só reverberava, vomitava) a clave de Certeau/Bourdieu para seus comentários. Esquivou-se sim quando apresentei contraexemplos invalidando sua premissa. Chamou-os de exceção sem notar que a regra com a exceção que serve para validar A e excepcionalmente B, é uma antinomia, com o OU mutuamente exclusivo ou mutuamente inclusivo (pesquise na Lógica). E ainda riu como se meus contraexemplos contra suas “exceções” fossem um erro infantil. PQP!!!

Ahhhh Dunning-Kruger, perdoai-o, ele não sabe que não sabe, e diz. 

Ao invés de um quadro, ai vai mais uma evidência de seus arroubos tresloucados:

A - Russell é um intelectual porque foi provido pelo ambiente e meios para sê-lo ( e olha que ainda dei-lhe a chance de reconsiderar já que a regra prescrevia a condição como necessária E suficiente (leia o que é isso na matemática), e eu não via assim);

B - Marie Curie ou Camus não tiveram a mesma sorte mas são a exceção à regra (existem exceções, pois. Qual a regra para a exceção?  Em que  condições ocorreriam? Mistérios).

Agora esquecendo a lógica formal, veja que lindo: o uso da regra prescreveria que se lorde inglês, intelectual. Todos os abastados terminariam como um Russell. 
A realidade, intrujona, aponta para o contrário, que na verdade Russell foi excepcional, um entre milhões de comuns abastados na Grã Bretanha. Então os milhões de abastados não intelectuais do Reino Unido são também exceção à sua regra? Parabéns, acaba de inventar a excepcionalidade majoritária, uma contradição em termos. 

E quanto a Currie e Camus?, seriam a exceção?, outra exceção já que diferente da descrita acima? Regra feita de exceções! Exceções do que mesmo? Quadro oligofrênico.  MUITO conveniente. Infelizmente tática erística conhecida:

[Se o seu oponente estiver usando a exceção não para refutar a regra, mas para salvar a própria pele quando a regra dele falha, ele pode estar usando:

A Redução Ad Hoc (ou Pleito Especial): É quando alguém cria uma "exceção de última hora" para explicar por que sua teoria falhou naquele caso específico, sem alterar a teoria original. É o famoso: "A regra vale para todos, menos para este caso porque ele é 'especial'".]

Só você define quando a exceção se aplica e quando não se aplica. De novo, MUITO conveniente. Puta regra, literalmente… eu diria que uma regra quenga, dada.

Voltando: dúvidas inundam minha cabeça. Se não fosse colonizado, seria o que? Africanizado? Não colonizado então? Colonizado pela África? Qual a diferença intrínseca? É melhor ser A do que B? Por que? Isso tem a ver com ciência e/ou método? Ou simplesmente é negação pura e simples? Para quê? Do que? Por que?

Explicações little Baudelaire, explicações… peço desde o Canto II. Não as providenciou, apenas tangenciou e ricocheteou digressões, referências, argumentos de autoridade, espiralando o tema sem tocá-lo no âmago. Por vezes prolixo, uma metralhadora sem eixo, entulha o texto mas não conclui nem explica. Sei que pensa assim, seu jeito de pensar. Mas isso é só um pleonasmo vicioso. Again, elimina toda e qualquer possibilidade de debate. Leu mesmo minhas súplicas no Canto V? Se idiossincrasias agora são parâmetro relevante ao debate, fudeu. Leu mesmo?

Tem mais: também a ciência e o método científico são frutos determinantes do meio e tem lado? Deveríamos apenas usar a metodologia da tribo cujas descobertas astronômicas espantaram Carl Sagan? O que, aliás, tem isso mesmo a ver com o que estávamos falando?

Por mim tudo bem, bem demais. Se o método permite conclusões verdadeiras e verificáveis e não carrega em si contradições lógicas, é definitivamente um bom método. 

Ou também a lógica tem lado? É ocidental e não consequência da experiência humana que contraditoriamente compilou as contribuições não ocidentais de  Dignāga (Índia, séc. V - VI), Mozi (Micius) e os Moístas (China, séc. V a.C.), Al-Farabi (Pérsia/Turquestão, séc. IX - X), Ibn Sina / Avicena (Pérsia, séc. XI. Por esse tenho um apreço ainda maior. Era médico, foi pioneiro na compreensão das doença e seus tratamentos, e muito certamente serviu de inspiração para O Físico, de Noah Gordon. Uso muito com a minha Dra Luiza]. 

E antes da indignação afetada, aquele riso de superioridade de quem já sabe disso tudo e está ofendido, dos pqp e vsf, pelo amorrr de Dios, se sabe tudo, pare de se contradizer. Falar algo numa sentença e o oposto na seguinte com a mesma naturalidade verborrágica como se um diálogo devesse discorrer dessa forma implode a cabeça do titio aqui. Isso já não é debate. Você nem me responde nem escreve pra mim. Escreve para outrem. Pior, está tornando-se um personagem de si mesmo. Notou isso? Crise de identidade? Assuma seus desejos pérfidos e indignos: vida boa, grana, carro, herança, ócio criativo. Se isso confronta o wokismo acadêmico da beautiful people que tem que mostrar indignação (não ação) contra as injustiças do mundo, apenas impugnando tais gostos em público, resolva-se. 

E não caríssimo, a lógica não foi uma "descoberta" grega, mas uma estrutura de pensamento que emergiu simultaneamente em diferentes civilizações para resolver questões de debate, validade e realidade. Pra ser franco, acho que como todo o resto do conhecimento humano, que é um amálgama de tudo e de todos ao longo da história, compilações. Não estou certo… (?) Não deveria saber disso? 

Bom, se respondeu sim às perguntas acima, eis que concordo. Quem sou eu pra abordar tal embate filosófico já travado pelo Racionalismo, Empirismo Clássico (e também o Analítico, creio) e o Positivismo Lógico versus Karl Mannheim, C.A.J. Coady, a Filosofia da Ciência de Thomas Kuhn e finalmente Alvin Godman e sua Epistemologia Social Analítica? Mas estou mais pra Popper que Foucault, mais pra Pinker que Foucault, mais pra Locke que Foucault. Acho que foucault mesmo! (é irresistível não vir à minha cabeça a cena emblemática e caricata/hilária (pra mim) de Tropa de Elite, ver Matias, o 01, descaralhando a sala de aula da PUC-Rio e seus "especialistas em segurança pública" no exercício de Foucault e sua relação Saber-Poder e seu conceito de Vigiar e Punir, baseado em sua crença na inexistência de uma verdade universal pura (ihhhh, tive um deja vu aqui. Sério... parece que já vivi exatamente esse momento antes, escrevendo aqui isso agora... Ui, coisa de maluco). Mas a ONG bonitinha cai com Baiano com ou sem Foucault, afinal, no tráfico não se abatem inimigos com pedras mas com pneus queimando e gente dentro. Abismo entre teoria e realidade).

Mas foi você que veio tascando rótulos, estabelecendo fronteiras e ocidentalismos, separando europeus e não europeus, brancos, etc. Pra mim tal separação no âmbito da discussão que tínhamos é absolutamente irrelevante. De que me importa se o gato é branco ou pardo, preto, ocidental ou africano, Russell ou Certeau, desde que caçe o rato?

Minha birra recorrente com os rótulos colonizado, branco, europeu, ocidental, meu pau - oops, sorry - só aumenta. Vai virar meu ponto fraco.

Parênteses :

Penso pois na negação do postulado das paralelas de Euclides e vejo a prova viva de que a "nuance universal"  pode ser expandida quando mudamos os axiomas de base. Enquanto a geometria de Euclides funciona perfeitamente em superfícies planas (como uma folha de papel), as não euclidianas (negação do postulado das paralelas) são essenciais para descrever o mundo real curvo. Todas teorias logicamente consistentes, intrinsecamente válidas e não contraditórias, e UNIVERSAIS. Todas utilizáveis na prática desde que estabeleçamos os limites de uso de cada uma.

O social é subconjunto, uma pequena parte do todo atrelada a um éthos. E só!Colonized? Ocidental? Meu pau? Oops, sorry de novo.


(…)

Reminiscências

(1) Definições tautológicas são a carta coringa. Vale pra tudo o tempo todo. Nas nossas discussões, isso soa como pleonasmo vicioso, algo como “subir para cima”. 

Tinha dado como encerrado o assunto no Canto VI. Vide meus comentários. Mas ai vem você… seus áudios de whatsapp.

Instigado, instintos ancestrais afloram sem controle (“ele se julgava o demolidor…”).

(...)

(2) Chances quase nulas de ler Certeau e ser convencido por ele nesse assunto (e lerei, mas saiba: creio que Certeau concorda comigo que não somos "consequência exclusiva" do meio. Porque para ele, o ser humano é um "caçador furtivo" que cria significados próprios dentro das regras impostas. Duvidas? Bom, não leu Certeau o suficiente). Cuidado com a pressa pequeno Baudelaire.

O mesmo para os outros autores citados. 

Remark: eu leio Certeaus, mas será que eles  e você leram algo sobre matemática, física, etc.? Assimetrias.

(...)

(3) Embora o éthos forneça as "lentes" pelas quais enxergamos o mundo, a estrutura da razão ou da experiência humana possui constantes que transcendem o CEP e a época. Assim é a minha epistemologia, e acredite se quiser, cheguei nela sem nunca ter lido Kant ou adentrado o Racionalismo Classico ou até a Fenomenologia, sistematicamente (Talvez ainda faça isso por sua causa… e agradeço). Apenas parece-me o óbvio, o aderente com tudo o que vivi, experienciei até aqui. 

Mas vem você insistindo no contraponto moderno dos autores que cita, creio defensores da Epistemologia Social e do Pós-Estruturalismo (seja lá o que isso for). E já disse que estava satisfeito e o tempo se encarregaria de mudar minha ou sua opinião. 

Tempo para inspirar o ar de Itamar Assumpção e seu ‘Aprendiz de Feiticeiro’: “aprendi que a desavença, é por que sempre alguém pensa, que ninguém mais tem razão”. 

(...)

De volta.
(4) De minha parte, quero convencer ninguém. Duvida? What can I do? Estava eu aqui coçando saco na praia sem vontade de nada além de sorver o ócio. Quero convencer ninguém. Mas você descarrilou o trem e sei lá pra qual direção irá agora. Pode até ter colisão frontal, mas temos airbag e não matará. Estava apenas em busca da verdade e absolutamente aberto a aceitar novos argumentos. Desde que que me convencessem, com explicações claras. Pedi. Pedi mais de uma vez. Recebi foram áudios com verborragia quase aleatória. Um fog que ainda assim não me tiraria do caminho.  Cartesiano, sei traçar uma reta, ou uma geodésica se o espaço for curvo. Ainda chego a meu destino.

(...)

(5) E nem me venha com Nelson Rodrigues, “não li e não gostei”. Você ainda é um pirralho perto do Nelson Rodrigues e agora nem tente usar o reacionário a seu favor. Esse ai é meu. Vá sim ler Lógica, Racionalismo, Russell e tutti quanti.

(...)

(6) Como lhe disse, estava satisfeito por ora. Mas você zerou tudo com áudios de whats. Retornou ao mesmo que escreveu no Canto IV e pior, depois de ter escrito o Canto VI concordando com algumas de minhas considerações educadas no V. 

Fragmentado.
Deco: o avatar acadêmico;
Canalha Lúcido: super ego intelectual. 
Cadê o cabeça? 

Fractais. Ou bipolaridade? Arrrrrmaria.


Pegando ar… Adelante hombre. Adelante! 

(...)

Finalizo suplicando algumas coisas, porque te amo, não o contrário:

  • cuidado com a afetação intelectual na ânsia de mostrar erudição ou conhecimento diametral citando autores e teorias recentes alavancada pela experiência acadêmica. Nem tudo pode ou deve ser lido sob o prisma de Certeau, Russell ou o karai. Acho que é apenas seu momento de efusões acadêmicas e culto a seus mentores. Veja, nada contra eles, nem contra sua antropofagia literária, mas suas conclusões começam a soar artificiais, teatrais, meros vetores para referências fora do eixo das discussões, como se todo assunto tivesse de mencionar por exemplo necropolítica, ocidentalização, e por ai vai. Estamos numa sala de aula? Estás a ser sabatinado por seus professores? Quer provar algo a eles? Porque a falta de link é patente. E como ator, deixou de ser o original canelista para transformar-se por vezes num canastrão. O cerne aqui deveria ser a busca da verdade, filosofadas de bairro, de boteco. Tá virando palco para o “Deco” da História ou o Canalha Lúcido Intelectual a la Peninha. PQP!!! 
  • quem disse que a História ou a Matemática são o fiel da balança e o prisma de todas as discussões? Por vezes falo de batatas e você me trás o ‘não dito’ do historiador; cito Beleléu e você me fala do homo Faber, que porra é essa?
  • leia cuidadosamente o que escrevi, SOMENTE o que escrevi e tente eliminar  dos silêncios (o que não escrevi) as intenções que acha que quis imputar ao texto. Assim você cria um espantalho, um avatar de mim que usa para as réplicas que nem pedi nem perguntei. Misturar política e ideologia quando nem de perto os temas foram mencionados nos meus comentários no Canto VI? Aquilo disse mais sobre você que sobre mim. Até Judt você citou, tentando trazer uma referência que gosto como argumento de autoridade,  provavelmente mordendo a língua de nojo. E me poupe de mais uma tautologia social: “tudo é política, tudo é ideologia”.

  • Minha leitura psicológica dos seus últimos áudios é de que cometeu ato falho. Ao justificar que  não falava de política ou ideologia quando propunha a leitura dos autores que embasem sua epistemologia social, falou tudo, ao avesso do que queria. Só falava de política e ideologia, e mais, apontou sim falas catequizadas dos gurus da academia cujo mantra você já repetiu e que excomunguei acima como pleonasmo vicioso: “tudo é política, tudo é ideologia”. Em nenhum momento do papo falei de política, citei Olavo ou quem quer que seja, já que o substrato de meus comentários no Canto VI eram sobre pontos outros do seu texto. Li de novo, e de novo, e de novo… nada há ali que remeta à política ou ideologia. Mas você se defendeu do espantalho que considerou já questionando sua epistemologia social (sim, embora não soubesse que é) como influência da academia, dos professores e da esquerda. Touxe o Olavo para a ribalta, não por acaso. Ato falho. Pior, confirmou o que temia e tentava negar. Sorry.

Por fim, deixe-me dizer-lhe mais uma coisa, do fundo da alma, com a sinceridade que duvido conteste, do pseudo pai, de um velho de 59 anos cujo tempo amainou a vaidade, ceifou alguns graus nos níveis de testosterona, domesticou a violência e o predomínio do cerebelo nas reações emocionais (as vezes… infelizmente nem sempre), de alguém, que diferente do que já assumiu “publicamente”, tem zero necessidade de autoafirmação hoje em dia: escute-me agora, leia-me agora… sem resposta, pois NÃO trata-se de pergunta. Precisará de tempo para digerir e sim, talvez seja ele o senhor da razão. Por que sei disso? Quanta petulância a minha, certo? “Não sei, só seu que foi assim”. 

Apenas confie. Acho que mereço esse voto de confiança.

Estamos no mesmo lugar do início. Adelante hombre. Não falo mais… Geraes.


Beijo florido.
El demolidor
Strategos Aristides
Tio

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Carta a uma médica



Platão acreditava que as almas escolhiam seus destinos antes de nascer. Seu pupilo, Aristóteles, discordou e viu o destino como consequência natural das ações e causas do mundo. Os estoicos já viam na razão divina a inevitabilidade da predestinação. Epicuro defendeu o livre arbítrioenquanto Agostinho e Tomás de Aquino uniram a ele o conceito cristão de plano de Deus veio Leibniz dizendo que tudo isso significava que vivemos no melhor dos mundos possíveis”, embora tenha sido "premiado" com Panglossno Cândido de Voltaire. Kant adicionou a moral, Nietzsche, que o destino é algo que criamos, enquanto Sartre foi além: o destino não existe.

Eu nada sei. Adoto a isenção agnóstica e não afirmo nem nego nenhuma das teses da filosofia. O que sei é que recebi uma chamada telefônica 26 anos atrás pedindo que fosse pra casa porque você passara mal. Cheguei, ligamos para o pediatra e combinamos que nos encontraríamos no Pronto Socorro do Hospital. Chegamos primeiro, você então com 3 anos foi atendida e encaminhada para exames. Nada conclusivo até que no corredor, em frente a uma das salas de exame, aconteceu o debate entre a cirurgiã pediátrica de plantão e o pediatra, que a essa altura tinha se juntado a nós. Ele pensara numa possível hérnia de deslizamento quando recebeu da cirurgiã uma resposta categórica: não sei... vamos abrir.

Cirurgia, tensão e enfim a resposta: apendicite supurada. 

Tudo correu bem na cirurgia, mas o pior ainda estaria por vir. 8 dias de incertezas, febre, a luta contra infecções que poderiam desaguar numa sepse. Lembro-me que no desespero, quando liberaram o apartamento para onde nos dirigiríamos, peguei a chave sob pretexto de verificar o quarto, entrei, bati a porta atrás de mim e quase troquei de mal com Deus” caso levasse meu bebê de 3 anos. O desespero cegaembrutece. Felizmente Deus tinha outros planos e a cirurgiã pediátrica do Hospital entraria naquela noite para a história da nossa família para sempre. E eu, trilharia o caminho para tornar-me um ex-ateu. Pena que a vida e as situações nos desviem de agradecer o suficiente, se é que isso seria possível. Agradeço a Deus e peço que Ele a agradeça por nós.

Essa história lhe foi contada inúmeras vezes ao longo de sua infância, e seja isso ou lá o que for que tenha plantado em sua cabeça a obstinação inegociável para a medicina, fez também com que sua vocação exercesse um papel principal em sua vida, norteando seu destino.


5 anos. Um total de 4 anos de estudo em cursinhointermediados por quase 1 ano de paralisia, depressão, motivados pelos insucessos anteriores. Lembro-me ainda da frase que frustrada um dia proferiu entre lágrimas“minha turma do terceirão já saindo da faculdade, e eu me formando em pré-vestibular”. 

Retomou. Seguiu.

Um dia, maio de 2019, recebi a notícia de que seria expatriado e moraria no exterior por 3 anos. Planejamos que se não passasse até nossa partida, viria conosco pra relaxar por um tempo. Em junho, como não poderia deixar de ser, orgulhosa disse que NÃO! O caminho seria a medicina, sozinha, sem família pela primeira vez na vida. Foi, viu e venceu. Superou seja lá o que emergiu como obstáculo no caminho, um sinal de sua crescente resiliência, maturidade, determinação. Mais do que isso, a obstinação fomentada pela vocação. Nunca teve dúvidas. Nem a solidão, a saudade, os desafios, fracassos, nada!!! Foi, viu e venceu. 


A nós, sobrou o orgulho; ter deixado uma pirralha patricinha para trás e recebido de volta uma mulher que ensina, une e reúne a família. Nem sem sei se merecemos. Foi assim com o irmão em crise, assim nos conselhos e confissões da irmã, foi assim até mesmo diante da burrice machista e rompantes do pai, na ampliação das perspectivas da mãe. Virou nosso oráculo, nosso ombro amigo, nossa confidente, ouvindo com empatia e ajudando... sempre. 

Pode parecer exagero, mas nunca disse que minha filha” é perfeita (só pra mim). Ninguém é, e disso sabemos muito bem. O ponto aqui é outro: vejo a vocação para entender as mazelas humanas, o espírito bondoso para ajudar genuinamente, com amor, e se isso não for a maior virtude de um médico, a despeito de todo conhecimento técnico e experiênciavivemos no mundo do House, M.D. e não no de Avicena (Ibn Sina). Sinceramente, espero que não, o mundo já anda feio demais.

Uma ressalva aqui, porém, resumiria tudo: Dr. House é só um seriado da Fox. Avicena, ao contrário, embora possa também ter sido personagem do filme alemão Der Medicus de Philipp Stölzl baseado no livro The Physiciande Noah Gordon, foi de carne e osso e pioneiro na compreensão das doenças e seus tratamentos. Nasceu em 980 na cidade de Bukhara, que hoje faz parte do Uzbequistão, e morreu em Hamadan, no atual Irã, em 1037. E como espírito vivo, continua a perpetuar a vocação para tantos como vocêmy physician!!!

Ave Avicena, ave Luiza! Voa...


sábado, 18 de março de 2023

Memorial (por André Mota Prates)




 "(...) Acabaram com o beco; mas ninguém lá vai morar; cheio de lembranças vem o povo; do fundo escuro beco; nessa clara praça se dissolver. (...) Profissão decerta, deserta; homens e mulheres na noite; homens e mulheres na noite; desse meu país; na porta do beco estamos; procissão deserta, deserta, nas portas da arquidiocese desse meu país. Diamantina é o Beco do Mota, Minas é o Beco do Mota, Brasil é o Beco do Mota; Viva o meu país.

Beco do Mota; Milton Nascimento, Fernando Brant.

Cheio de lembranças, é assim que fiquei. Povoado por memórias atraídas e aguçadas por uma tarefa de faculdade, pela necessidade de compor, como estudante de história, o meu primeiro memorial. Sendo assim, desde a terça-feira à noite dia da aula que me deixou tal incumbência acompanho com maior atenção o vai e vem das imagens que perambulam por aqui, nos porões da minha mente; lembranças... Diamantina é o Beco do Mota, Minas é o beco do Mota, a voz do Bituca, o calor do fogão à lenha e o fulgor nos olhos de meu avô. Ele tinha esse hábito, o vô. Gostava de me colocar para escutar MPB e, enquanto tomava uma pinga, observava-me. Em alguns momentos, levantava as sobrancelhas: “atenção Dé, escuta bem essa frase” falava, bastante calmo. Com o fim da música, conduzia-me pela interpretação da letra; com enorme paciência coisa de avô babão, encantado com os netos que tem procurava me contar as circunstâncias por detrás da canção, tinha uma enorme satisfação em alimentar o meu repertório musical e apontar-me a poesia de Minas, de Milton, Brant, de Beto, de Paulinho, de Lô e tantos outros. Era também durante essas conversas que narrava alguns dos episódios de sua própria vida e dos acontecimentos de nossa família; os Mota.

Como ele gostava desse sobrenome; enchia a boca para dize-lo: “Sou Mota. Somos Mota, somos de Minas”. Imagine a minha surpresa ao ouvir o Milton cantar o nosso nome. Naquelas noites com o vô eu ia aprendendo sobre a história da família e das nossas raízes mineiras, regionalistas. Começava a entender que, de certa maneira, a história de minha casa não começava com meus pais e comigo; outros haviam vivido e morrido antes de mim. Vieram de longe, construíram vida no interior das Minas, enriqueceram e também quebraram, fizeram nome na cidade de Minas Novas. Foi também em uma dessas noites que me mostrou, bem como explicou o retrato na parede de seu quarto. Imagem em preto e branco, moldura oval, nela os meus bisavôs olham meio de lado para o horizonte, como se a visão estivesse perdida no tempo; rostos muitos sérios, sóbrios. Por coisas assim, as noites com o vô eram fascinantes. Agora, elas são memórias, porque o velho de cabeça branca não está mais aqui: “Um dia eu vou faltar, meu filho. Vou embora. E então a vida vai te colocar no meu lugar, e você, um dia, também terá os seus netos. Se hoje sou seu espelho, amanhã será o seu dia de dar o exemplo, e você ensinará para eles as músicas que aprendeu junto comigo”, dizia. Mas nesses momentos, em que as conversas enveredavam por temas assim, algo mais filosófico, como a sua própria condição de finitude, não era o Milton quem cantava, o som que embalava o papo dessas noites ficava a cargo de João Nogueira:

“(...)Num dia de tristeza me faltou o velho; e falta lhe confesso que ainda hoje faz; E me abracei na bola e pensei ser um dia; um craque da pelota ao me tornar rapaz; um dia chutei mal e machuquei o dedo; e sem ter mais o velho para tirar o medo; foi mas uma vontade que ficou para trás. Eh, vida atoa; vai no tempo, vai (...) E o meu medo maior é o espelho se quebrar.

Espelho; João Nogueira.

Assim comecei a descobrir a história, ela se fez presente, antes mesmo de eu aprender a ler, através das narrativas de meu avô acerca de nossa família, do nosso sobrenome. Nas noites despretensiosas em que ele passava horas colocando discos no rádio, empenhado em fazer o neto compreender aquilo que a letra procurava dizer. Meu avô Mota foi, portanto, uma fonte, foi quem me ajudou a perceber a duração, o correr interminável dos dias, da vida atoa que vai no tempo. Por outro lado, talvez a casa de nossos avós ainda guarde um outro efeito. Para dizer de outro modo, quando o velho contava dos parentes antigos, bem como dizia da própria finitude, abria espaço para que eu concebesse o passar do tempo, a sucessão das gerações. Contudo, aquele retrato oval, o qual já mencionei, única recordação restante dos pais de meu avô funcionava também como um fragmento tangível do passado. Não sei se me fiz compreender, mas a ideia é a seguinte: a casa de nossos avós não guarda vestígios do passado? Sua decoração, sua disposição, seus adornos; quer dizer, as paredes repletas de fotos muitas vezes antiquíssimas , as impressões espalhadas pelos móveis, que dão conta de formaturas, de batizados e de aniversários muitas vezes dos filhos, mas com maior frequência dos netos , não seriam também fontes? Sobre tal perspectiva, um bom observador poderia encontrar um registro considerável da história de uma família ao caminhar pela sala de uma avó. Estou certo de que, se detalhista, conseguiria compor um bom panorama a partir dos vestígios espalhados pelos cômodos. Pois bem, mais o que isso tem que ver com a minha descoberta da história?

No ano de 2019 resolvi manter uma espécie de diário, um caderninho de anotações, melhor dizendo. Nada original, devo comentar, mas é que eu começara a sentir uma verve intelectual a animar meu espírito. Sendo assim, como muitos dos pensadores que me serviam de exemplo mantinham esse hábito, decidi seguir o modelo. Com o passar do tempo, tomei gosto, e por meio dessa prática descobri o prazer de acessar “Andrés” do passado, de resgatar trechos de elocubrações em datas específicas. Ora, o rapaz que escreveu em 2019 não é o mesmo que rabiscou em 2020, também já é outro, agora em 2023. Ademais, para além de facilitar os caminhos da minha memória, os tais caderninhos funcionam como uma auto pesquisa. Por eles consigo espiar algo acerca do fluxo do meu pensamento, e das transformações que ocorrem na maneira como eu enxergo e como eu penso o mundo. Tendo isso considerado, firmo que componho o meu memorial desde 2019, por conta dele sou, desde já, um pouco pesquisador ainda que o meu objeto de pesquisa seja eu mesmo , um pouco intelectual e, por que não dizer, um pouco historiador; ainda que diletante.

"Se por historiador se designa uma profissão, só me tornei historiador tardiamente e por fases. O mesmo não acontece se o termo qualificar uma orientação da curiosidade intelectual; parece-me que sempre o fui.

René Remond

Bem, ainda não sou historiador, mas me considero já iniciado no ofício, um aprendiz, tateando na arte de recompor o passado. Porém, assim como para Remond, se o termo qualificar uma orientação da curiosidade intelectual; parece-me que sempre o fui, desde quando ouvia extasiado as narrações do vô; desde quando examinava arrebatado o retrato oval dos seus pais, em preto e branco, e por meio dele imaginava o passado. Como foi que descobri a história em minha vida? Resposta: acaso. Ele e sua intrincada reunião de circunstâncias e coincidências. Vicissitudes sobre as quais no meu ponto de vista tenho pouquíssima autonomia. Quer dizer, uma coisa é meu avô narrar a história de nossa família, colocar músicas, mostrar retratos. Outra, é eu me interessar por tudo isso. Por que o meu interesse? Não sei, talvez uma suposta orientação da curiosidade intelectual, para além do meu controle; talvez uma definição inata, feita pelo Cronida que as nuvens cumula e os raios trovoa no momento em que colocava ordem no caos. Vai ver, em sua arrumação cósmica, colocou o André ao lado da história e determinou o seu caminho para dentro de uma sala da aula. Como saber?

Aproveito a menção ao acaso para retomar a ideia da casa dos avós como receptáculos do passado. Um dia, passeando pela sala agora da avó , reparei em uma foto minha. Devia contar com no máximo seis anos. Eu sorria e orgulhoso estufava o peito, trajava uma armadura de plástico; mas para mim, do mais valioso e poderoso metal . Na mão esquerda sou canhoto , a espada empunhada, pronta para a peleja. Nada como uma fotografia e uma tarefa de faculdade para lubrificar os mecanismos da memória. Agora lembro bem, eu chamava aquilo de “fantasia de Hércules”, mas não sei sua origem. Presente de aniversário ou de natal? de quem? Não sei, isso a memória não permitiu guardar, o importante é que eu a adorava. A fotografia ainda instigou outras memórias: eu tinha uma coleção de espadas e brincar com elas estava entre minhas predileções. Por conta disso, durante a infância fui Hércules, fui Artur, por tantas vezes fui César a comandar a Legião e a defender Roma dos “invasores” Bárbaros. Novamente a disposição intelectual, o acaso fora do meu controle.

Por outro lado, se as narrações do vô e as brincadeiras de criança desvendam as origens da minha inclinação para a história, o mesmo não pode ser dito dos livros didáticos. Meu péssimo percurso escolar impede que eu tenha qualquer lembrança boa para com esse tipo de impressão. Quando vasculho aqui os porões, a imagem que me vem com maior grau de nitidez é a cara de raiva de minha mãe, que com um esforço hercúleo fazia o que podia para me manter sentado, copiando os trechos do livro que davam conta do dever de casa indicado pelo professor. De certo, foi já muito depois do período escolar que passei a valorizar os livros e, mesmo assim, os romances tiveram um papel bastante maior que os didáticos para a minha descoberta da história.

“Pois a história tece com teias de aranha a rede indefectível do destino; em seu mecanismo maravilhosamente construído, uma simples e pequena roda motriz põem em movimento forças terríveis.”

Retrato de uma mulher comum; Stefan Zweig.

Pois a história tece com teias de aranha a rede indefectível do destino (...); pois bem, ainda quando criança não sei ao certo se antes ou depois de ganhar a tal fantasia de Hércules , assisti a um documentário sobre Roma, e conduzido pela voz do narrador bastante característica para documentários de história ouvi pela primeira vez a fascinante narrativa dos imperadores, dos césares romanos. Pouco depois, um tio contou-me sobre Ícaro, o jovem rapaz que pecou pela desmedida, e tendo isso feito, pagou com a morte ao voar perto demais do sol. Notou? Mais uma vez os sussurros do acaso, acontecimentos triviais, fora do meu controle: primeiro Grécia e Roma, depois mitologia grega, mais tarde os filmes Gladiador e Tróia; um avô dedicado que faz o neto interpretar canções e ouvir as tradições da família, um tio que narra a desventura do filho de Dédalo, uma televisão ligada que prende a atenção de um menino ao representar as conquistas de Roma. Já adulto, fora da escola, os romances históricos, um clássico aqui e outro ali, bons professores pelos cursinhos da vida , uma pretensa verve intelectual e, por fim, a descoberta pelo gosto de tentar remontar o passado. Juntando tudo isso, creio ter delimitado um pouco do caldo responsável por fazer com que eu criasse gosto pela história; resumidamente, foi por esses caminhos que eu descobri e vocação da minha vida.

Penso que o caminho seja mesmo por ai. Quem sabe o vô tenha razão, talvez ele, ao me contar do passado, tenha também entrevisto o futuro, “um dia a vida vai te colocar no meu lugar”, e então será a minha vez de apresentar a história aos meus filhos e aos meus netos, em noites despretensiosas e com um copinho de cachaça mineira para amenizar o frio; eh, vida atoa. Vai no tempo, vai. Mas que saudade, mas eu sei que lá no céu o velho tem vaidade e orgulho de seu filho ser igual seu pai (...). E o meu medo maior é o espelho se quebrar.

sábado, 9 de outubro de 2021

#Novo normal é "meus ovo"

A pandemia, um marco histórico. 

Com efeito, das incertezas e previsões estapafúrdias de ambos os polos, negativo e positivo, direita e esquerda, prós e contras... saíram pérolas que se devidamente notadas deveriam trazer-nos algum aprendizado. Novo normal “meus ovo...”, diga-se de passagem. Nada além de um festival de idiossincrasias tão falsas como qualquer outra sessão do Congresso, esse povo obtuso vociferando apego à ciência, ao método científico como imperativo categórico, o último crivo entre o certo e o errado sem nunca ter dado o menor pedal para a Lógica - ingrediente absolutamente aversivo ao ofício dos (in)dignatários dos palanques. Um insulto a Ibn Al- Haytham (Alhazém), um disparate e desrespeito a Descartes. Subitamente políticos transmutam-se em médicos, youtubers viram epidemiologistas, blogueiros uma mistura de John Snow com Madre Teresa de Calcutá. Dantesco. No Instagram todo mundo vira top model de máscara e desfia seu altruísmo genuíno lastreado por certezas inarredáveis... a dos seus avatares. A ânsia por protagonismo e exposição destravada há tempos pelas redes sociais e Internet saciada agora por toda sorte de sublimação. Nas redes todo mundo é foda!!! Em frente às câmeras, tudo bonito, puro, imaculado. 

(...)

Só que não... Felipe pregando isolamento hiperbóreo enquanto arruma a mochila pra bater bola com os amigos. Renan e Omar como vestais da inquisição humanística contra o genocídio e estultícia do verdugo do planalto (Eclesiastes 2:12 - Então passei a contemplar a sabedoria, e a loucura e a estultícia. Pois que fará o homem que seguir ao rei? O mesmo que outros já fizeram) ... e ainda falando mal da corrupção... do governo? Surreal. Se não tivesse assistido a cena eu mesmo na TV não acreditaria. Novo normal??? Pára que eu quero descer. 

Confúcio ensinou há mais de 2500 anos o que o povo das redes aprendeu sem nunca ter lido filosofia chinesa. Imagem é mesmo tudo. Diante da pequenez e insignificância humanas, os guevaras de plantão descobriram que poderiam mudar o mundo com posts, lacrações e a velha e boa hipocrisia, a grega clássica hupokrisis e a de François duc de la Rochefoucauld

(...)

Confesso que sinto saudade da imperfeição. Um rosto não tão lindo num corpo estonteante. Um rosto tão lindo, olhos azuis e uma bundinha miúda. Gafes e reações desconfortáveis quando não se sabia do que os outros estavam falando. Racismo, sexismo conceitos ocos ainda não operacionalizados pelos grupos identitários. Conversas casuais e imperfeitas ainda sem tanto vitimismo, tanta patrulha. Ainda não havia um manual de instrução para o papo furado. Agora pasteurizaram essa merda. 

“Não sei” agora, ao invés de sinal de humildade e ignorância sobre um assunto, expressão gatilho para a segregação pela “turma do bem”. Não engajamento militante agora uma espécie de lepra social em direção ao cancelamento pela patrulha do “mundo melhor”. Todos idiotas de uma linha de montagem que reduz as relações humanas a ”...estar comigo” ou “...estar contra mim”. Rotores da linha de produção desse fordismo ideológico que nada mais é que a redução das correntes a duas, gerenciáveis, previsíveis, manipuláveis. Fábrica de puppets obviamente hipnotizados pela síndrome de dunning-krugger, cheios de si, sobrando em suas verdades irrefutáveis, atores desse espetáculo piegas e grotesco. E imaginar que muito provavelmente cá estamos só por conta de uma criação imperfeita, de um Deus assimétrico (Marcelo Gleiser). Houve a maçã... 

(...)

Bored to death. Cansado de sanhas identitárias, desse culto cego a uma democracia patológica capitaneada por essa oligarquia que insufla os incautos na luta por mudanças que invariavelmente foram feitas, ao contrário, para deixar tudo do jeito que está. 

Lembro então da juventude em Minas Novas, Lalau de Zé Camargos a parafrasear Bandeira: 
- Vou-me embora pra Chapada (do Norte)... lá sou amigo de Tôto...

Ahhh os hiperbóreos, povo lendário que para os antigos gregos, habitava uma região perpetuamente ensolarada na extremidade setentrional da Terra, além do vento norte. 

Mas vai que é a Chapada? O nome grego eu já tenho. 
Ai tô bem… 23 KM de Minas Novas, dá pra ir de bikeConsiderando que Atlântida tem de ser longe, além de salgada e molhada, e para mim água de preferência doce e cozida (crua costuma ser muito fria), bora pro norte...

Ahhh “meus ovo” ... 
E só pra deixar claro, “novo normal é o c...”.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Vortex


Ando falando do passado com muita frequência. Nas conversas enviesadas na cozinha enquanto Margô prepara algo, na sala em frente à TV atrapalhando a programação, na sala de estar com a prosa já contaminada pela música, saudade, cervejas... invariavelmente, minha parceira vê-se encurralada pelos cacos - agora recorrentes - de minhas lembranças. Memórias do Bairro Betânia, do Recanto Motinha, das férias no Vale, da BH da minha infância e juventude, tudo vindo à baila “junto e misturado” como flashes do big bang empilhando takes em minha retina. Coitada da Margô... Outro dia, relembrando as epopéias do bairro (tudo parece gigante, grandioso quando se tem 13 ou 14 anos) contei todos os amigos, restaurando todos em suas casas como num filme de família gravado em super 8 onde ainda se notam os cortes nos frames a cada tranco do projetor ameaçando engripar. Foram anos que ficaram congelados em meu hipocampo, e ainda que a velocidade do projetor mental siga errante, mais rápida ou por vezes lenta, as imagens dançam agora ao som do YES, Jimmy, Doors, Stevie Ray, Janis, Aldir, o Clube, Bosco, Guinga, Egberto, Rush, Beatles, Wakeman, Rosa, Toninho, ELP... por entre cervejas, um charuto... dois. 

(...)

Comecei a fumar depois dos 50... 
E perco-me de novo em lucubrações com o olhar no vazio.
Puxo então Page and Plant e ouço Unledded... pra logo depois pesquisar no Youtube as ‘Alucinações de Sergei’ em seu single de 1966, ano em que nasci. 
Sergei morreu ano passado. Nunca foi nem mesmo ínfima referência musical, diga-se de passagem, mas fez parte do Rock’n’roll nacional cuja história omite hoje curiosidades como a que o nome dos Mutantes foi sugerido pelo Ronnie Von. 
Mas antes dele já haviam ido Jimmy, Jim, Janis, Bonham, John, SRV, George, Keith, Greg Lake, Chris Squire. Depois Neil Peart, Aldir, tantos... esses sim eternizados pela obra.
Percebo então que já nasci com um algoritmo de busca a la Google na cabeça muito antes de Larry Page e Sergei Brin inventarem o buscador mais famoso da Internet (chupaaaaaa AI). 

(...)

Me ocorre depois que para alguns o rock começou com o Whitesnake. Azar do Bill Haley, Chuck Berry e tutti quanti que talvez só tenham existido mesmo pra quem tem mais de 70. É uma tese. 

Não questiono a curvatura da terra nem se o homem pisou na lua mas dessa ai não comungo, é fake... sorry.
Eu sei, cada geração tempera suas verdades com o que viu e ouviu mas isso não significa contestar o passado sem antes pesquisá-lo. 
Nossa história escrita tem pelo menos 5020 anos. Seria como julgá-los usando menos de 2% dos dados, menos de 100 anos, por uma expectativa de vida otimista. 

Quanto a mim, teimoso e atávico que sou, valorizo mais a brilhantina dos anos 50, a psicodelia dos 60, o vortex do rock e o glam de Ziggy Stardust nos 70 ao glitter metal e baladareiro dos 80 MTV. Questão de opinião. Nos 80 já estava mais a mirar o passado, como se tivesse perdido o trem e nascido na geração errada, atrasado, bored.

(...)

A morte de ídolos potencializa a nostalgia e balbucio uma frase do Aldir por entre os dentes antes de outro gole na cerveja : “meu caderno de telefones é um cemitério”. 
Retomo o curso da memória desviada por devaneios e revejo de novo todos os patrícios daquele universo que englobava meras duas ruas do Betânia: a Dois e Quatro... 
De estalo lembro-me também do Cícero, um gênio matemático que conheci no finado Colégio Anchieta. Acho-o na net, escrevo-lhe um vexatório - porque emotivo - bilhete via e-mail. Amo todos agora...
Engraçacado. Ponho In My Life dos Beatles e a letra me iguala a John e Paul por pelo menos dois minutos. 
Não tenho mais medo dos brigões do Conjunto B, do bullying que sofria quando estava vestido de escoteiro com a bermuda azul marinho e o Kichute amarrado na canela, das pendengas geradas pela rivalidade no ‘bente altas’, tudo volta com um tom de saudade... “some forever not for better”.

(...)

Minha misantropia mineira - ou mineirice misantrópica - e a pandemia agravaram o quadro para além da famosa crise da meia idade. Aliás, o Dr Elliot Jaques foi quem cunhou esse termo em 1965, mas só aceitei a teoria depois de sentir na pele a tal crise por volta de 2013.  Quando reneguei o juizo leviano que fiz da teoria (achava frescura),  adicionei mais um ao rosario de erros de julgamento que cometi na vida. Importante que agora até acredito no Dr Elliot.

É... Envelhecer é mesmo perigoso. Ponho Erasmo na JBL e seu “É preciso dar um jeito meu amigo”, a despeito do que acha o fake. É rock, concluo aliviado. Já a cobra branca... arrrrghhhhh!


terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

"O Brasil não é para principiantes"



Começo homenageando Jobim, no título. Não o ginandromorfo tupiniquim PT/PSDB - necessariamente não nessa ordem -, mas o músico, agora também nome de aeroporto. A propósito, penso que não teria gostado tanto da homenagem, a do aeroporto.  ai o 'Samba do Avião' que não me deixa mentir... Lá, para sempre, o pouso será no Galeão. Ademais, ginandromorfo ou não, o galináceo da granja do Dr Schaef foi mesmo é parar na panela e no bucho do dono (necessariamente nessa ordem). E ainda que perguntas rondassem sua cabeça diante da estranheza ao depená-lo, o Dr H. E. Schaef assou-o e fartou-se primeiro para só depois ceder o esqueleto para a anatomista amiga Madge Thurlow Macklin que veio a publicar suas análises na revista científica Journal of Experimental Zoology em 1923. 
Lógico, cartesiano, científico, até eu entendo. 
Já nosso Nelson teve sorte diferente, claro: logrou ser ministro fiel de dois governos antagônicos... pelo menos no picadeiro ou palco da nossa democracia patológica isso é normal.
O Brasil não é mesmo para amadores.

O mundo está mesmo de ponta-cabeça. E eu, amador e neófito nas sapiências das causas e da política que sou - e serei "forevis" -, cada vez entendo menos. 
Distanciei-me - como sonhara há anos - e embora veja o espetáculo agora de longe, ainda que comparando-o com minha realidade atual, "não consigo entender sua lógica". Desolador. Não entendo a luta contra o "fascismo" (aquele do zé. Alguém empreste ‘O que é Fascismo? E outros ensaios’ do Orwell a ele) encampada por atores engajados da Globo - pelas portas dos fundos, claro -, nem a sanha messiânica da turma da "Delfim Moreira 342" contra as ameaças à democracia, o recrudescimento da censura e cerceamento das liberdades (da Lei Rouanet, talvez). Num tempo em que o Marcelo dá muito mais que 2, Duvivier planta, colhe, aperta e acende na boa, vira colunista da Folha e até argumento de autoridade, a nudez das feministas do Leblon eleva o potencial de constrangimento e vergonha alheia de qualquer feminista raiz (dos anos 50, quando a coisa era feia), queermuseus, Wyllys, Rosários, Feghalis e tutti quanti são obrigados por lei, Petra e sua obra de ficção encomendada concorre a Oscar, eu me pergunto: de que diabos esse povo tá falando? Depois do Face, do Youtube, Instagram, Twitter??? Ali o cabra é livre, leve e solto pra falar a merda que quiser, angariar milhares de seguidores e ainda ficar rico. Sem filtro, talento, currículo, concurso, caráter, coerência, quase nada de pré-requisito. Ainda estamos em 68? 
Talvez Caetano e Chico sim, entendo. Quem viveu não esquece, sente falta da adrenalina, principalmente depois dos setenta. Mas e os outros, que nem nascidos? Esse miniver na mídia e na cultura (???), essa cena repetida da ceia dos porcos na última página da Revolução dos Bichos, esse altruísmo demagógico, falso e binário que agora deu até de buscar explicação científica para desumanizar os contrários, reduzi-los a 'não pessoas' e amortecer qualquer resquício de compaixão ou empatia, que porra é essa? Determinismo genético e QI por coloração ideológica? "Tá de brincadeira?"

É... Não tenho mesmo a menor chance, sou mesmo um amador. Esse país é só para profissionais. Melhor só rir do Cruzeiro na segundona esse ano, já que velho demais pra carnaval ou outro "ópio do povo". Pela Internet ou TV, claro, bem longe da Lavigne, Pedro Cardoso, Tais Araújo, Alvim... "valha-me Deus". Ano que vem vai que melhora?


sexta-feira, 29 de março de 2019

Notas do front

Houston, 27 de março de 2019.

Oi F, tudo bem?
Peguei-me aqui escrevendo a missiva à moda antiga, sinal irrefutável de que sou mesmo um velho, enfim. Transcrevo-a agora. 

Mais que isso, sempre soube que sou melhor escrevendo. Penso melhor escrevendo, “falo” melhor escrevendo, explico-me melhor escrevendo. Projeto-me então no escritor que sempre quis ser... transcendendo assim. Mágica? 

A partir de agora sou Strategos Aristides.

Sugiro que como leitora faça o mesmo. Migre por mim agora de F a Florence Cliff (alakazam... booom). Escale escarpas, derrube normas, arquétipos, falsos moralismos, rompa as amarras que nos prendem a regras, limites impostos por outrem. O papo aqui, embora entre duas pessoas reais - eu e você, tomará assim a forma de uma interlocução entre nossos alter-egos. Essa perspectiva liberta, provoca rearranjos em nossas crenças e convicções, for good, garanto. Florence Cliff não tem medo de nada, luta até esvaziar os pulmões, enfrenta, esperneia, grita, desvencilha-se de socos, desvia de balas, cães, cobras, lagartos, homens maus, ofensas... do diabo. Vem comigo, ande a meu lado...
Se bem fará não sei, mas que mal faria?

Pausa: perdão pelo inglês inserido aqui e ali, virou uma espécie de vício depois de 14 anos escrevendo assim em horário comercial. Nada de pedantismo... não com você. Aos outros não devo nada. Que me considerem pedante, até gosto. Estabelece uma fronteira e deixa-me longe deles e de seus faróis politicamente corretos, toda aquela sanha de bondade, altruísmo, cultura, empáfia sobre-humana doentia e louca. Eu apenas um homem simples, feliz e insignificante.

Mas voltando à vaca fria, deixe-me primeiro contar-lhe um pouco de mim. 
Há mais de 35 anos pensei em ser um cientista, um físico ou um matemático. Anos depois, alvejado por minha incompetência e incurável indisciplina, sonhei ser um rockstar ou um ás do Jazz como fora Wes ou ainda é Toninho Horta. Mas a vida atropela. Casei, tive filhos. As coisas simplesmente aconteceram, baseadas em minhas escolhas e num mar caótico de variáveis que não pude controlar. Ninguém pode. Uns chamam de sorte, outros de azar, outros ainda dizem que é sina, ou carma. 
Eu, metido a racional que sou, só vejo intempéries, a geopolítica e seus efeitos benéficos ou maléficos, ideologia, a loucura, a política, a tecnologia, a economia, uma miríade de fatores que só os utópicos insistem em não relevar (dai que tantas utopias tenham terminado em distopias ao longo da história). 
Aprendi depois que para a criação de um modelo como objeto de apreensão da realidade, algo que permita simulações, estudo e predições, usa-se às vezes a condição ceteris paribus. Deixe-me explicar: reduz-se as variáveis às mais críticas e manipuláveis e mantêm-se as demais constantes ou inalteradas como se nunca mudassem, embora estejam ali, “causando”. Se não dependem diretamente de sua vontade, melhor considerá-las mesmo constantes, sem desprezá-las ou menosprezá-las. É uma forma de não perder tempo nem energia com elas, sendo pragmático e/ou realista. 
Bem, embora imprecisa, considerando-se estritamente o caos absoluto dos fatores intervenientes, muito precisa considerando as condições controladas. Dai a beleza do modelo. Possibilita induções - ainda que limitando o número de variáveis - que permitem vislumbrar o resultado, antever um futuro. Uma máquina do tempo preditiva, diria. É assim que funcionou pra mim, pelo menos. Embora não pudesse controlar todas as variáveis, agarrei-me àquelas que demandavam apenas minha autonomia e considerei as demais constantes, esquadrinhando assim meu futuro - se maleporcamente é outra história. Mas escrevi minha vida à mão, não com a mão alheia, e disso tenho orgulho. Não de forma precisa, nem sem percalços, erros ou mudanças de plano. Mas com parcimônia e paciência, pavimentei minha estrada. E aqui estou à beira de algo que encasquetei há 20 e poucos anos atrás. Não sei - e nem interessa mais - se se efetivará ou não mas levando a vida ceteris paribus, agarrando-me ao que se podia controlar (minha vontade, determinação, força, espírito), cheguei,  seja lá onde isso for (desde que seja onde se quer estar). Se não exatamente o ponto, bem próximo... dá pra ir a pé ;0). 

Fato é que a vida é uma jornada perigosa, e é vital que aproveitemos cada batalha, tristeza, alegria, tudo. Hoje, por exemplo, depois de tudo uma sensação me abarca: subitamente o que quis por vinte e poucos anos está ali, embora ainda não possa tocar. E inevitavelmente olho para trás, desde o dia em que pus tal sandice em minha caixola até as encruzilhadas dos piores momentos, dos desvios do caminho às dores incuráveis, dos becos aparentemente sem saída às dúvidas, dos deleites das alegrias e dos filhos às dificuldades... Concluo enfim que tudo aquilo me trouxe até aqui. 

Como tenho mesmo essa compulsão inevitável pelo caminho - meus pais me deram esse jeito de andar -, sigo...
E o caminho continua infinito, enquanto dure. É meu conforto, como foi o de meu pai... vou até o fim!!!

Agora conte-me sobre você, Florence Cliff. Seus anseios, desejos, quero saber. Preciso saber. 
O tempo é curto e volto ao início, “enfim sou um homem velho”. 


Um beijo florido.
Stragegos Aristides.