Histórico
Por volta de 1727, um grupo de bandeirantes chefiados por Sebastião Leme do Prado localizou a ocorrência de ouro em um dos afluentes do Rio Fanado que, por essa razão, recebeu o nome de Bom Sucesso. A notícia de grandes jazidas atraiu os faiscadores[1]. Entre o Rio Fanado e o seu afluente Bom Sucesso, formou-se o primeiro núcleo populacional, em torno de uma capelinha, erigida em homenagem a São Pedro. Assim nasceu o Arraial de São Pedro do Fanado, que rapidamente prosperou, recebendo, dois anos depois, o título de Vila do Bom Sucesso do Fanado de Minas Novas.
Fonte: IBGE
Guimarães, no 'Grande Sertão: Veredas', inventou um tal "Lindorífico, chapadeiro minas-novense, com mania de aforrar dinheiro", companheiro jagunço de Riobaldo Tatarana na saga rosiana.
Agora Benito Barreto, do mesmo 'Barreto' de Abílio, seu tio-avô e historiador mineiro que viu a construção da nova capital de Minas Gerais, dá vida aos personagens da conjuração mineira na trilogia 'Saga do Caminho Novo' e ressuscita Minas Novas nas memórias do Tiradentes:
"E, de pronto, se dá conta que de todos os seus erros e trapalhadas - e quantos hei cometido e praticado, meu Deus! - fora de todos o maior, mais grave, a vinda intempestiva para o Rio, o que fizera num impensado impulso de revolta e desespero, ante o recuo do comandante Paula Freire e a retirada subsequente, ou manifesta indecisão dos outros, só agora compreendendo que, ao invés de o fazer e vir tentar na Corte, em terreno que, a rigor, não é o seu, um apoio que não tinha em casa, mais lhe aprouvera e à causa, ter-se retirado, por exemplo, para Minas Novas e o Tejuco, ai juntar-se com o padre Rolim e os guerrilheiros do garimpo e deflagarem o levante, mesmo antes ou a despeito da Derrama[2] e sem os outros sócios!" (p. 45)
No capítulo 3, 'De repente, com o Diabo, num rancho, em Minas Novas' do primeiro livro da trilogia, 'Os idos de Maio', mais uma referência. (p. 53)
_______________________________
[1] A faiscação era a pequena extração representada pelo trabalho do próprio garimpeiro, um homem livre de poucos recursos que excepcionalmente poderia contar com alguns ajudantes. No mundo do garimpo o faiscador é considerado um nômade, reunindo-se às vezes em grande número, num local franqueado a todos. Poderiam ainda ser escravos que, se encontrassem uma quantidade muito significativa de ouro, ganhariam a alforria.
Fonte: http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=302
[2] No Brasil Colônia, a Derrama era um dispositivo coator contra os "homens-bons" (brancos e ricos), para que estes zelassem pela arrecadação dos quintos reais. O quinto era a retenção de 20% do ouro em pó ou folhetas levado às Casas de Fundição, que a colônia era obrigada a mandar para a metrópole. Correspondia a uma taxa cobrada dos "homens-bons" e que foi fixada em 100 arrobas anuais (1 arroba equivale a aproximadamente 15 quilogramas), ou seja, 1500 quilos. Como não raramente o quinto não era pago integralmente e, os valores não pagos eram acumulativos, era preciso intensificar a cobrança, confiscando-se bens e objetos d'ouro. Essa prática de cobranças de valores para atingir a meta estipulada pela Coroa era chamada de Derrama. O sistema de cobrança dos quintos por Casa de Fundição, com o dispositivo coator da Derrama, foi implantado em 1751, sucedendo ao Sistema da Capitação que tinha levado as Minas Gerais à total miséria. "Ou se extinguia a Capitação, ou Portugal perderia não só as Minas, mas a própria Colônia", afirmou o próprio Marquês de Pombal em suas razões para extinguir a Capitação. Ao final da capitação (1735-1751) e ante o desastre que causara às Minas, os próprios analistas de Mariana, em nome do povo, em carta ao rei, no ano de 1751, vieram a dizer e a afirmar que “concluímos que não há modo mais justo para Sua Majestade arrecadar o seu quinto do que as casas de fundição”. Na verdade, ocorreu apenas uma Derrama promovida pelo Governador de Minas Gerais Luiz Diogo em 1763/1764. De resto, embora a cota de 100 arrobas anuais quase nunca fosse atingida, os "homens-bons" sempre adiaram, emendaram e repactuaram o pagamento da mesma. Entranhados ao poder político, esses "homens-bons", que eram quase-sócios do Estado, conseguiram sempre empurrar com a barriga e adiar as derramas. A partir de 1787-1788, a corrupção dos governantes da Capitania de Minas Gerais, aliada aos boatos de que a Derrama, agora, sem escapatória, iria ser implementada, fez desencadear em vozes mais altas as confabulações que desaguariam na Inconfidência Mineira, ferozmente reprimida pelo governo real de Maria I, mãe do futuro rei Dom João VI e avó de Dom Pedro I do Brasil (Pedro IV de Portugal).
Fonte: Wikipédia
Elucubrações de um caminhante mineiro em terras desconhecidas (e conhecidas também). Cai dentro e descobre...
Mostrando postagens com marcador MInas Novas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MInas Novas. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Crônicas do Mato. Começo…
Introdução “wikipediana” :
Minas Novas, antes denominada Arraial das Lavras Novas dos Campos de São Pedro do Fanado, foi fundada pelo bandeirante paulista Leme do Prado. Ele veio à cata de ouro, encontrado em abundância no arraial. Deixando a região do rio Manso próximo a Diamantina devido a uma epidemia e procurando o rio Araçuaí e o rio Itamarandiba, Sebastião Leme do Prado, juntamente com outros paulistas, vieram a encontrar o rio Fanado por erro de rota, e mais tarde o ribeirão Bom Sucesso.
O povoado foi elevado à condição de vila no dia 2 de outubro de 1730, recebendo o nome Vila de Nossa Senhora do Bom Sucesso das Minas Novas da Contagem (obelisco próximo ao Funchal marca o local - nada a ver com a cidade da Ilha da Madeira. Muito melhor, é a casa do Seu Dimas *).
Criada como arraial da Vila do Príncipe (hoje município do Serro), Minas Novas passou a pertencer ao território baiano até 28 de setembro de 1760. Passou novamente a integrar a capitania de Minas Gerais sob a jurisdição do Ouvidor da Comarca do Serro Frio, mas permanecendo eclesiasticamente ligada à Diocese de Jacobina, da Bahia. Pela provincial de 9 de março de 1840, foi elevada a categoria de município com o nome de Minas Novas.
Foi o maior município do Estado de Minas Gerais. Do antigo município foram criados 65 municípios mineiros de hoje, entre os quais podemos citar: Teófilo Otoni, Nanuque, Araçuaí, Salto da Divisa, Capelinha, Itamarandiba, Turmalina, Leme do Prado. Fonte: Wikipédia
(...)
Isso é só pra dar-lhes uma ideia a qual mato estou me referindo.
Na verdade, o importante é que temos pequis e já tivemos marmelos, que a estrada para Diamantina era de terra e quando chovia, aquilo virava um “leguedê” pra sair ou chegar.
Que antigamente os urubus formavam esquadrilhas a esquadrinhar os céus sob as benesses das cordilheiras de ventanias que faziam o trabalho do voo sozinhas, planando as naves de graça (sempre achei urubu um bicho preguiçoso. Até pra comer fica à espreita e observa agourento. Só depois que o "dicumê" tá morto é que se arrisca. Caçar??? Nunca).
Que as andorinhas apinhavam os fios da rede elétrica ao alvorecer...
Até que “um dia, no Fanado, quando o véu dos tempos se rasgou em raios e ventos, e o cordão de andorinhas que ao sol exibiam suas asas azuis ao longo dos fios vindos da Barragem se rompeu, um espalho de milhão de inocentezinhas pelas barrancas do "Becan" qualhou a terra. E no lugar em que cada uma delas se fundiu, pela força da corrente do raio misturada à fúria dos fios, nasceu um liriozinho espontâneo cor-de-rosa, o qual tinha na ponta de sua haste um tubérculo em forma de coração verde, embora já sem esperança”(1).
Mas é dai, desse lugar 220 Km depois de Diamantina onde nasceu meu pai, meu avô, de onde minha mãe saiu pra crescer a família em Belo Horizonte, de onde agora trago seixos. Irregulares, alguns mesmo sem brilho, como os que Benito Barreto uma vez trouxe da Capelinha de Guanhães para sua tetralogia “Os Guaianãs”.
Porém, não menos bárbaros, ou menores…
É meu rebento, meu grito xenófobo. O grito de um mineiro caminhante longe de casa que viu mundo e concluiu que nem Paris nem Londres, nem Budapeste, Tsurumi ou Wakayama, nem Chicago nem Amsterdam. Muito menos Barcelona.
É Minas meu mundo. É Guimarães meu grande sertão e é o cerrado minha geografia.
Mais importante que tudo, é um pequizeiro minha árvore vital!!!
Não foi à toa que Beto Guedes elegeu como logotipo de sua Editora Musical um pequi (afinal ele é de Montes Claros).
E eu ainda me delicio ouvindo “A Página do Relâmpago Elétrico” ou “Amor de Índio” em vinil e olhando de cima aquele pequi girando bem no meio do pick up, lentamente...
Muito ainda será dito…
______________________________
* (NA)
(1) Pedindo licença poética a Geraldo Mota (meu primo Lalau). Adaptação de texto seu postado no blog de sua irmã Elisa, http://negritudexpureza.blogspot.com/2009/08/bailado-das-horas-noturnas-em-minas.html.
Minas Novas, antes denominada Arraial das Lavras Novas dos Campos de São Pedro do Fanado, foi fundada pelo bandeirante paulista Leme do Prado. Ele veio à cata de ouro, encontrado em abundância no arraial. Deixando a região do rio Manso próximo a Diamantina devido a uma epidemia e procurando o rio Araçuaí e o rio Itamarandiba, Sebastião Leme do Prado, juntamente com outros paulistas, vieram a encontrar o rio Fanado por erro de rota, e mais tarde o ribeirão Bom Sucesso.
O povoado foi elevado à condição de vila no dia 2 de outubro de 1730, recebendo o nome Vila de Nossa Senhora do Bom Sucesso das Minas Novas da Contagem (obelisco próximo ao Funchal marca o local - nada a ver com a cidade da Ilha da Madeira. Muito melhor, é a casa do Seu Dimas *).
Criada como arraial da Vila do Príncipe (hoje município do Serro), Minas Novas passou a pertencer ao território baiano até 28 de setembro de 1760. Passou novamente a integrar a capitania de Minas Gerais sob a jurisdição do Ouvidor da Comarca do Serro Frio, mas permanecendo eclesiasticamente ligada à Diocese de Jacobina, da Bahia. Pela provincial de 9 de março de 1840, foi elevada a categoria de município com o nome de Minas Novas.
Foi o maior município do Estado de Minas Gerais. Do antigo município foram criados 65 municípios mineiros de hoje, entre os quais podemos citar: Teófilo Otoni, Nanuque, Araçuaí, Salto da Divisa, Capelinha, Itamarandiba, Turmalina, Leme do Prado. Fonte: Wikipédia
(...)
Isso é só pra dar-lhes uma ideia a qual mato estou me referindo.
Na verdade, o importante é que temos pequis e já tivemos marmelos, que a estrada para Diamantina era de terra e quando chovia, aquilo virava um “leguedê” pra sair ou chegar.
Que antigamente os urubus formavam esquadrilhas a esquadrinhar os céus sob as benesses das cordilheiras de ventanias que faziam o trabalho do voo sozinhas, planando as naves de graça (sempre achei urubu um bicho preguiçoso. Até pra comer fica à espreita e observa agourento. Só depois que o "dicumê" tá morto é que se arrisca. Caçar??? Nunca).
Que as andorinhas apinhavam os fios da rede elétrica ao alvorecer...
Até que “um dia, no Fanado, quando o véu dos tempos se rasgou em raios e ventos, e o cordão de andorinhas que ao sol exibiam suas asas azuis ao longo dos fios vindos da Barragem se rompeu, um espalho de milhão de inocentezinhas pelas barrancas do "Becan" qualhou a terra. E no lugar em que cada uma delas se fundiu, pela força da corrente do raio misturada à fúria dos fios, nasceu um liriozinho espontâneo cor-de-rosa, o qual tinha na ponta de sua haste um tubérculo em forma de coração verde, embora já sem esperança”(1).
Mas é dai, desse lugar 220 Km depois de Diamantina onde nasceu meu pai, meu avô, de onde minha mãe saiu pra crescer a família em Belo Horizonte, de onde agora trago seixos. Irregulares, alguns mesmo sem brilho, como os que Benito Barreto uma vez trouxe da Capelinha de Guanhães para sua tetralogia “Os Guaianãs”.
Porém, não menos bárbaros, ou menores…
É meu rebento, meu grito xenófobo. O grito de um mineiro caminhante longe de casa que viu mundo e concluiu que nem Paris nem Londres, nem Budapeste, Tsurumi ou Wakayama, nem Chicago nem Amsterdam. Muito menos Barcelona.
É Minas meu mundo. É Guimarães meu grande sertão e é o cerrado minha geografia.
Mais importante que tudo, é um pequizeiro minha árvore vital!!!
Não foi à toa que Beto Guedes elegeu como logotipo de sua Editora Musical um pequi (afinal ele é de Montes Claros).
E eu ainda me delicio ouvindo “A Página do Relâmpago Elétrico” ou “Amor de Índio” em vinil e olhando de cima aquele pequi girando bem no meio do pick up, lentamente...
Muito ainda será dito…
______________________________
* (NA)
(1) Pedindo licença poética a Geraldo Mota (meu primo Lalau). Adaptação de texto seu postado no blog de sua irmã Elisa, http://negritudexpureza.blogspot.com/2009/08/bailado-das-horas-noturnas-em-minas.html.
Assinar:
Postagens (Atom)