domingo, 24 de abril de 2011

Estrada Definitiva

Um dia escreverei um livro... com esse título (posso sonhar).
O final será mais ou menos assim...

E definitiva era a estrada, como derradeiras as curvas e pedras do caminho.
Numa encontrei meu passado, encoberto de poeira vermelha numa espécie de traje das memórias e lembranças do tempo. Elas vestiam a roupa do Vale, vermelha, de terra escardida do cerrado.
Ali jazia minha alma jovem, pra sempre enterrada no amor pelas montanhas de Minas.

Viva Tião fidumaegua!!! Gritou-me uma voz do passado.
Voltei-me e o vi passar estalando em risos.
De repente a voz de meu pai... era ele, era eu, um espelho.

Pai!!! Gritou-me uma voz do presente.
Era meu filho... era eu, era meu pai. Espelhos.
Segui viagem.

Fui andando o caminho... definitiva a estrada.
O ronco do motor do caminhão ainda soava ao longe, como também a música do Tusta "... cortando esta reta comprida eu mato saudade de beira de estrada..."

Ouvi uma voz do futuro.
Respondi sem voltar-me para trás - como fizera meu avô tantos anos antes :
"- Quem vier por último que feche a porteira."
Silêncio.
O ciclo permaneceria... sempre.

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