Perdi o respeito por esses intelequituais fabricados. Me enfarei de sua cultura sem alma, de sua erudição de manual, proposital, não incidental. A mesma das conclusões pedantes - e tolas -, sem brilho. Essa dos títulos de doutores, livros inúteis, entrevistas, simpósios, plenárias e o diabo. Essa das conclusões poéticas, apoteóticas, na mesma proporção que improváveis. Essa da linguagem rebuscada como cortina de fumaça para a mais absoluta falta de propósito.
Prestam-se, no máximo, a criar a aura de mito e extender seu fascínio sobre a horda de acólitos estultos. Esses que são uma subespécie da mesma horda que segue Inri Cristo, ou seguiram Forrest Gump quando esse começou a correr pelos Estados Unidos sem explicação alguma (pelo menos aqueles só existiram num filme de Hollywood).
Perdi o respeito por esses Intelequituais jukebox, crooners do pensamento.
Ando para os títulos, dou laço para a sapiência pasteurizada forjada sob o manto da originalidade e boa intenção, bem nascida. Embuste.
Não vejo mais as entrevistas, não leio mais os blogs. São falsos...
Prefiro o ácido... a alma, a opinião apaixonada. Originalidade.
Perdi o respeito...
Elucubrações de um caminhante mineiro em terras desconhecidas (e conhecidas também). Cai dentro e descobre...
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
domingo, 21 de novembro de 2010
Papo de avião
Aeroportos e viagens de avião parecem também transportar o ser humano a um mundo paralelo, muito além do destino prescrito no cartão de embarque. Mesmo depois da popularização do transporte, que tornou mais vantajoso voar que pegar um ônibus de Belô a Curitiba, por exemplo, as pessoas continuam reagindo como se estivessem num evento, numa apoteóse.
É fácil se deparar com todo o tipo de bizarrice.
Há os que são tomados por uma compulsão incontrolável de falar ao celular, nem que seja com a tia da vizinha da avô de uma amiga de infância que não via há 10 anos.
E dá-lhe palavrório: "estou no avião, decolo daqui a pouco..." Papo de uma relevância monumental, digno de repreensões das comissárias de bordo para que o passageiro obedeça a solicitação de "desliguem os celulares".
Há a turma dos óculos escuros e figurino de viagem.
Essa turma fashion é uma tribo descolada. Consideram a si próprios acima da plebe e com mais conhecimento e acesso ao universo misterioso dos aeroportos, salas vip e aviões (big deal). Afinal, eles são os representantes da estirpe SPFW da aviação nacional.
Há os executivos, empresários, doutores em aviação e reclamação, sempre ostentando seus cartões planitum, gold...whatever, e sacando - como Jesse James, o gatilho mais rápido do oeste - mais ligeiro que qualquer mortal comum:
"- Você sabe com quem está falando?"
Esses se acham acima da plebe por considerarem a si mesmos os aristocratas do ar, quase os donos dos céus do mundo.
Os fashion são até tolerados, porque sempre há uma moça bonita representando o grupo e, essa turma adora um caso com uma modelo fora do casamento.
O único problema é que se o avião cair, irão todos "juntos e misturados" ver São Pedro, pra desgosto deles... Ainda assim, muito provavelmente tentarão prioridade apresentando o cartão Elite Member na porta do céu.
A plebe é a plebe. Come de tudo o que oferecem como se um maldito sanduiche de queijo quente se transmutasse num banquete dos deuses só porque se está flutuando a 12000 pés de altura. Também são responsáveis por algumas das exigências mais insólitas, na tentativa desesperada de mostrar alguma intimidade e fazer parte do big group ("me traga uma pinga de pequi com cereja turca por favor...").
Retirar a bagagem é uma epopéia à parte. Somos todos, naquele momento, acometidos por uma ansiedade irracional, incontrolável.
Daí a frase mais comum disparada a cada 5 minutos por alguém mirando a esteira e projetando a cabeça erraticamente como um cuco tonto por sobre as pessoas e carrinhos que bloqueiam o acesso, cercando as malas :
"- A minha não veio. Oh vida...oh azar. Só acontece comigo".
Mais 10 minutos e a mala aparece, para felicidade geral da nação e saúde do ansioso quase a ponto de um ataque cardíaco ou colapso nervoso.
É um festival enfadonho.
Especialmente porque caso haja uma pane, diferentemente do Titanic, nem com cartão Gold ou Planitum, nem mesmo os óculos escuros de griffe e o figurino descolado, nem com o estusiasmo e a inocência dos neófitos em avião: o fim será extensivo a todos.
Da primeira à classe econômica, sem botes salva-vidas para os previlegiados.
Sem classe... Para o completo desespero da turma fashion. Iguais...
É fácil se deparar com todo o tipo de bizarrice.
Há os que são tomados por uma compulsão incontrolável de falar ao celular, nem que seja com a tia da vizinha da avô de uma amiga de infância que não via há 10 anos.
E dá-lhe palavrório: "estou no avião, decolo daqui a pouco..." Papo de uma relevância monumental, digno de repreensões das comissárias de bordo para que o passageiro obedeça a solicitação de "desliguem os celulares".
Há a turma dos óculos escuros e figurino de viagem.
Essa turma fashion é uma tribo descolada. Consideram a si próprios acima da plebe e com mais conhecimento e acesso ao universo misterioso dos aeroportos, salas vip e aviões (big deal). Afinal, eles são os representantes da estirpe SPFW da aviação nacional.
Há os executivos, empresários, doutores em aviação e reclamação, sempre ostentando seus cartões planitum, gold...whatever, e sacando - como Jesse James, o gatilho mais rápido do oeste - mais ligeiro que qualquer mortal comum:
"- Você sabe com quem está falando?"
Esses se acham acima da plebe por considerarem a si mesmos os aristocratas do ar, quase os donos dos céus do mundo.
Os fashion são até tolerados, porque sempre há uma moça bonita representando o grupo e, essa turma adora um caso com uma modelo fora do casamento.
O único problema é que se o avião cair, irão todos "juntos e misturados" ver São Pedro, pra desgosto deles... Ainda assim, muito provavelmente tentarão prioridade apresentando o cartão Elite Member na porta do céu.
A plebe é a plebe. Come de tudo o que oferecem como se um maldito sanduiche de queijo quente se transmutasse num banquete dos deuses só porque se está flutuando a 12000 pés de altura. Também são responsáveis por algumas das exigências mais insólitas, na tentativa desesperada de mostrar alguma intimidade e fazer parte do big group ("me traga uma pinga de pequi com cereja turca por favor...").
Retirar a bagagem é uma epopéia à parte. Somos todos, naquele momento, acometidos por uma ansiedade irracional, incontrolável.
Daí a frase mais comum disparada a cada 5 minutos por alguém mirando a esteira e projetando a cabeça erraticamente como um cuco tonto por sobre as pessoas e carrinhos que bloqueiam o acesso, cercando as malas :
"- A minha não veio. Oh vida...oh azar. Só acontece comigo".
Mais 10 minutos e a mala aparece, para felicidade geral da nação e saúde do ansioso quase a ponto de um ataque cardíaco ou colapso nervoso.
É um festival enfadonho.
Especialmente porque caso haja uma pane, diferentemente do Titanic, nem com cartão Gold ou Planitum, nem mesmo os óculos escuros de griffe e o figurino descolado, nem com o estusiasmo e a inocência dos neófitos em avião: o fim será extensivo a todos.
Da primeira à classe econômica, sem botes salva-vidas para os previlegiados.
Sem classe... Para o completo desespero da turma fashion. Iguais...
sábado, 20 de novembro de 2010
Tô voltando (the inverse stereographic projection of a logarithmic spiral)
A idade deu-me novas perspectivas das coisas. Natural. Nada, nada é mais importante que a família, os amigos, nossa terra, nossa gente, viver, enfim. Simples...
Tô voltando. Cada vez mais perto... de certa forma nunca sai. Sempre estive por lá, em cacos, reminiscências, em minha convicção doentia.
Quase sempre nosso caminho é como a spira mirabilis de Bernoulli. Mas em certo ponto, embora a distância do início continue crescendo em progressão geométrica, nosso caminho passa a se assemelhar a um círculo, cristalizamos.
Então mudamos o rumo, tomamos o caminho da equação da curva inversa[1]... voltamos. A distância do início será cada vez menor. Passamos a ser cada vez mais parecidos com quem criticávamos e, nossos filhos, os passageiros da espiral logarítmica com r crescente. Eles num ponto da curva cada vez mais distante de nós, no centro.
É torcer pra que a lei se repita e haja também para eles um máximo onde as mudanças se aproximam do círculo, mínimas. A partir daí, inevitavelmente, voltarão para perto... de nós.
É isso ou estaremos cada vez mais - lastimavelmente - distantes deles.
(...)
Ponham água no feijão e chamem os amigos. Tô voltando...
_________________
[1] http://mathworld.wolfram.com/LogarithmicSpiralInverseCurve.html
Veja http://bugman123.com/Math/ShadowProjection.m1v e http://bugman123.com/Math/DoubleSpiral.m1v para animações da Logarithmic Spiral.
Tô voltando. Cada vez mais perto... de certa forma nunca sai. Sempre estive por lá, em cacos, reminiscências, em minha convicção doentia.
Quase sempre nosso caminho é como a spira mirabilis de Bernoulli. Mas em certo ponto, embora a distância do início continue crescendo em progressão geométrica, nosso caminho passa a se assemelhar a um círculo, cristalizamos.
Então mudamos o rumo, tomamos o caminho da equação da curva inversa[1]... voltamos. A distância do início será cada vez menor. Passamos a ser cada vez mais parecidos com quem criticávamos e, nossos filhos, os passageiros da espiral logarítmica com r crescente. Eles num ponto da curva cada vez mais distante de nós, no centro.
É torcer pra que a lei se repita e haja também para eles um máximo onde as mudanças se aproximam do círculo, mínimas. A partir daí, inevitavelmente, voltarão para perto... de nós.
É isso ou estaremos cada vez mais - lastimavelmente - distantes deles.
(...)
Ponham água no feijão e chamem os amigos. Tô voltando...
_________________
[1] http://mathworld.wolfram.com/LogarithmicSpiralInverseCurve.html
Veja http://bugman123.com/Math/ShadowProjection.m1v e http://bugman123.com/Math/DoubleSpiral.m1v para animações da Logarithmic Spiral.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Tecla SAP "de cabra homi"
Teclar do computador do lobby de um hotel numa cidade do Texas tem seus percalcos. Esqueca os acentos, o C cedilha e outras cositas mas (não consegui configurar o 'regional settings' aqui).
Mas nao importa em qual ordem as letras de uma palavra estao, a unica coisa importante e que a primeira e a ultima letras estejam no lugar certo. O resto o cerebro decodifica e voce pode ler sem problema. Isto acontece porque nao lemos a letra isolada, mas a palavra como um todo.
Esperimente isso: fixe seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua mente leia corretamente o que está escrito.
35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5!
Surpreendente. Depois de alguns segundos o cerebro encontra a chave para decodificar o texto.
(...)
Tal capacidade seria particularmente útil caso pudesse também ser usada na fala, o que infelizmente não é o caso.
Imagine você com a cerveja e o pratinho de azeitonas (Grand Cru e camembert para os chics) devidamente preparado para assistir Atlético x Cruzeiro (Flamengo x Vasco, Inter x Grêmio...), confortavelmente encaixado no sofá em frente à TV a dois minutos do apito inicial quando sua mulher chega da rua com algo urgente a dizer...
Essa tal "vamos discutir a relação" funciona bem só no 'Saia Justa' da GNT. E só lá, quando tinha a Young, a Luana Piovani - fazendo pinta de intelectual -, a Waldvogel (essa ainda tem) e a Betty Lago, que um dia proferiu a pérola que me remete ao sonho de que nosso cérebro pudesse fazer com a fala o que faz com os signos:
"- É balela quem diz que não pode haver casamento sem sexo."
Pode até ser. Talvez até seja verdade pra ela, caso tenha se casado com um estilista, cabelereiro baitola ou peroba genérico mesmo. Ou às vezes casou-se com o irmão da amada, pra não dar na cara.
O resto é só falta... e frustração. Muita.
Bom, mas voltando à vaca fria, imagine então que o discurso de sua esposa - exatamente no momento em que o jogo pegava fogo com o ataque do Galo botando na roda o timeco do Cruzeiro - toma ares de gravidade, digna de atenção.
Se pudéssemos depurar somente pela primeira e última palavras proferidas o discurso inteiro, perderíamos somente alguns segundos fingindo atenção. Depois era olho na bola rolando de novo.
Fato é que determinadas coisas são somente o que são: "homem é homem, menino é menino, politico é politico e baitola é baitola"[1].
Melhor que essa só o Tim Maia no programa do Jô:
"-Tudo é tudo... e nada é nada."
Anyway, alguns assuntos não merecem ser tão complicados. Não precisamos ser mulheres para sermos sensíveis. Elas não precisam fazer em pé e de porta aberta para mostrarem alguma dureza. Tá claro pra mim que o trauma do símbolo fálico não é problema nosso.
Melhor é sermos homens e mulheres, cada um na sua. É ai que a diferença faz a força, somados.
Mas pra quem discorda uma sugestão: peçam a volta da Young, Luana e da Betty Lago ao 'Saia Justa'. Anda terrivelmente sem graça menina.
_________________________
[1] Homem é Homem - Falcão
Mas nao importa em qual ordem as letras de uma palavra estao, a unica coisa importante e que a primeira e a ultima letras estejam no lugar certo. O resto o cerebro decodifica e voce pode ler sem problema. Isto acontece porque nao lemos a letra isolada, mas a palavra como um todo.
Esperimente isso: fixe seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua mente leia corretamente o que está escrito.
35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5!
Surpreendente. Depois de alguns segundos o cerebro encontra a chave para decodificar o texto.
(...)
Tal capacidade seria particularmente útil caso pudesse também ser usada na fala, o que infelizmente não é o caso.
Imagine você com a cerveja e o pratinho de azeitonas (Grand Cru e camembert para os chics) devidamente preparado para assistir Atlético x Cruzeiro (Flamengo x Vasco, Inter x Grêmio...), confortavelmente encaixado no sofá em frente à TV a dois minutos do apito inicial quando sua mulher chega da rua com algo urgente a dizer...
Essa tal "vamos discutir a relação" funciona bem só no 'Saia Justa' da GNT. E só lá, quando tinha a Young, a Luana Piovani - fazendo pinta de intelectual -, a Waldvogel (essa ainda tem) e a Betty Lago, que um dia proferiu a pérola que me remete ao sonho de que nosso cérebro pudesse fazer com a fala o que faz com os signos:
"- É balela quem diz que não pode haver casamento sem sexo."
Pode até ser. Talvez até seja verdade pra ela, caso tenha se casado com um estilista, cabelereiro baitola ou peroba genérico mesmo. Ou às vezes casou-se com o irmão da amada, pra não dar na cara.
O resto é só falta... e frustração. Muita.
Bom, mas voltando à vaca fria, imagine então que o discurso de sua esposa - exatamente no momento em que o jogo pegava fogo com o ataque do Galo botando na roda o timeco do Cruzeiro - toma ares de gravidade, digna de atenção.
Se pudéssemos depurar somente pela primeira e última palavras proferidas o discurso inteiro, perderíamos somente alguns segundos fingindo atenção. Depois era olho na bola rolando de novo.
Fato é que determinadas coisas são somente o que são: "homem é homem, menino é menino, politico é politico e baitola é baitola"[1].
Melhor que essa só o Tim Maia no programa do Jô:
"-Tudo é tudo... e nada é nada."
Anyway, alguns assuntos não merecem ser tão complicados. Não precisamos ser mulheres para sermos sensíveis. Elas não precisam fazer em pé e de porta aberta para mostrarem alguma dureza. Tá claro pra mim que o trauma do símbolo fálico não é problema nosso.
Melhor é sermos homens e mulheres, cada um na sua. É ai que a diferença faz a força, somados.
Mas pra quem discorda uma sugestão: peçam a volta da Young, Luana e da Betty Lago ao 'Saia Justa'. Anda terrivelmente sem graça menina.
_________________________
[1] Homem é Homem - Falcão
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Libertas Quæ Sera Tamen
Tenho visto diversos "manifestos" contrários a posição tomada por Chico e outros notáveis ("intelequituais" - valeu Millôr) com relação às eleições.
Saio em defesa... só do Chico (o resto nem sei se sabia o que fazia lá).
Niemeyer, como Althusser (ou não!), "engajou-se no que os acólitos de Althusser chamavam de "leitura sintomática de Marx". Isso significava que pensavam de Marx o que precisavam e ignoravam o resto. Quando queriam que Marx houvesse dito ou definido algo que não conseguiam encontrar em suas obras, eles interpretavam os "silêncios", construindo com isso uma entidade de sua própria imaginação. Chamavam o procedimento de ciência, uma ciência que Marx supostamente inventara e que poderia ser aplicada como uma matriz a todos os fenômenos sociais."[1]
Fato é que em sua biografia nunca li nada que remeta a alguma luta de fato. No máximo, o que retirei da Wikipédia e reproduzo abaixo desabona-o ainda mais:
"A luta política é uma das questões que sempre marcaram a vida e obra de Oscar Niemeyer. Em 1945, já um arquiteto conhecido, conheceu Luís Carlos Prestes e filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Niemeyer emprestou a Prestes a casa que usava como escritório, para que este montasse o comitê do partido. Sempre foi um forte defensor de sua posição como stalinista. Durante alguns anos da ditadura militar do Brasil autoexilou-se na França. Um ministro da Aeronáutica da época diria que "lugar de arquiteto comunista é em Moscou".Visitou a União Soviética, teve encontros com diversos líderes socialistas e foi amigo pessoal de alguns deles. Em 2007 presenteou Fidel Castro com uma escultura de caráter antiamericano: uma figura mostruosa ameaçando um homem que se defende empunhando uma bandeira de Cuba. Em seu discurso de 2007, onde Fidel fala em aposentadoria, faz referência ao amigo Niemeyer: "Penso, como (o arquiteto brasileiro Oscar) Niemeyer, que se deve ser consequente até o final". Esta frase foi repetida em sua carta de renúncia de 18 de fevereiro de 2008.
"Não me sinto importante. Arquitetura é meu jeito de expressar meus ideais: ser simples, criar um mundo igualitário para todos, olhar as pessoas com otimismo. Eu não quero nada além da felicidade geral"- Oscar Niemeyer.
Apesar do discurso comunista, da fama de ser desapegado de dinheiro e pródigo, de ter doado diversos projetos e não ter acumulado fortuna, seus projetos custam altas cifras ao Estado: em 2007, cobrou 7 milhões de reais pelo projeto da nova sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, tendo sua empresa recebido 33,5 milhões de reais do governo federal, entre 1996 e 2008, apenas por projetos de obras em Brasília."
Para ele não há defesa. Comunista de gaveta. Cereja do bolo, intelequitual útil. Melhor só olhar para os prédios. Esses não falam. São poesia...calados.
Mas tiremos o Chico dessa.
Não tenho nada a ver com sua postura política. Afinal, democracia e liberdade é isso mesmo. Ele é favor...eu contra...mas nem por isso sua obra é menor.
Aliás, revisitando, redescobrindo Chico, sua obra é maior.
Não confundamos as coisas.
Embora Niemeyer diga "que só quer a felicidade geral", nunca tive notícia de alguém sendo tocado pela providência numa comunhão milagrosa com Deus na Catedral de Brasília.
Estive lá. Bela obra arquitetônica. Arquitetônica. De fora. Lá dentro, só com um sistema de refrigeração de primeira. Faz um calor dos infernos (epa, blasfêmia).
Já do Chico, é so ouvir uma de suas centenas de músicas. Toca a alma, faz a felicidade geral sem levantar um tijolo da construção.
Bom, não caiamos nessa beligerância exacerbada que transformou as opiniões contrárias em inimigas e dignas de exclusão ou eliminação. Essa postura é mais característica nos partidários do grão mestre Squid, sim.
Esse não é nosso discurso, não é o discurso liberal (SIM! LIBERAL![2] Vá de retro patrulhamento ideológico!).
Ponha algo no som e relaxe.
Tente "Retrato em Branco e Preto", "Quem te viu, quem te vê", "Pelas Tabelas", "Quando o Carnaval Chegar", "Pedaço de mim" ...
Me diga depois se vale a pena misturar as coisas.
_______________________
[1] Ver Tony Judt, Reflexões Sobre Um Século Esquecido 1901-2000 (RJ, 2008), p. 128
[2] O Liberalismo é um sistema político-econômico baseado na defesa da liberdade individual, nos campos econômico, político, religioso e intelectual, contra as ingerências e atitudes coercitivas do poder estatal.
Apesar de diversas culturas e épocas apresentarem indícios das ideias liberais, o liberalismo definitivamente ganhou expressão moderna com os escritos de John Locke (1632 - 1704) e Adam Smith (1723-1790). Seus principais conceitos incluem individualismo metodológico e jurídico, liberdade de pensamento, liberdade religiosa, direitos fundamentais, estado de direito, governo limitado, ordem espontânea, propriedade privada, e livre mercado.
A história do liberalismo abrange a maior parte dos últimos quatro séculos, começando na Guerra Civil Inglesa e continua após o fim da Guerra Fria. O liberalismo começou como uma doutrina principal e esforço intelectual em resposta as guerras religiosas, segurando a Europa durante os séculos 16 e 17, embora o contexto histórico para a ascensão do liberalismo remonta à Idade Média. A primeira encarnação notável da agitação liberal veio com a Revolução Americana, e do liberalismo plenamente explodiu como um movimento global contra a velha ordem durante a Revolução Francesa, que marcou o ritmo para o futuro desenvolvimento da história humana. Liberais clássicos, que em geral destacaram a importância do livre mercado e as liberdades civis, dominaram a história liberal no século após a Revolução Francesa. O início da Primeira Guerra Mundial e a Grande Depressão, porém, aceleraram a tendência iniciada no final do século XIX na Grã-Bretanha para um novo liberalimo que enfatizou um maior papel para o Estado melhorar as condições sociais devastadoras. No início do século XXI, as democracias liberais e as suas características fundamentais de direitos civis, liberdades individuais, sociedades pluralistas e o estado de bem-estar haviam prevalecido na maioria das regiões do mundo. O liberalismo defendia a descentralização politica. (FONTE: Wikipédia).
Saio em defesa... só do Chico (o resto nem sei se sabia o que fazia lá).
Niemeyer, como Althusser (ou não!), "engajou-se no que os acólitos de Althusser chamavam de "leitura sintomática de Marx". Isso significava que pensavam de Marx o que precisavam e ignoravam o resto. Quando queriam que Marx houvesse dito ou definido algo que não conseguiam encontrar em suas obras, eles interpretavam os "silêncios", construindo com isso uma entidade de sua própria imaginação. Chamavam o procedimento de ciência, uma ciência que Marx supostamente inventara e que poderia ser aplicada como uma matriz a todos os fenômenos sociais."[1]
Fato é que em sua biografia nunca li nada que remeta a alguma luta de fato. No máximo, o que retirei da Wikipédia e reproduzo abaixo desabona-o ainda mais:
"A luta política é uma das questões que sempre marcaram a vida e obra de Oscar Niemeyer. Em 1945, já um arquiteto conhecido, conheceu Luís Carlos Prestes e filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Niemeyer emprestou a Prestes a casa que usava como escritório, para que este montasse o comitê do partido. Sempre foi um forte defensor de sua posição como stalinista. Durante alguns anos da ditadura militar do Brasil autoexilou-se na França. Um ministro da Aeronáutica da época diria que "lugar de arquiteto comunista é em Moscou".Visitou a União Soviética, teve encontros com diversos líderes socialistas e foi amigo pessoal de alguns deles. Em 2007 presenteou Fidel Castro com uma escultura de caráter antiamericano: uma figura mostruosa ameaçando um homem que se defende empunhando uma bandeira de Cuba. Em seu discurso de 2007, onde Fidel fala em aposentadoria, faz referência ao amigo Niemeyer: "Penso, como (o arquiteto brasileiro Oscar) Niemeyer, que se deve ser consequente até o final". Esta frase foi repetida em sua carta de renúncia de 18 de fevereiro de 2008.
"Não me sinto importante. Arquitetura é meu jeito de expressar meus ideais: ser simples, criar um mundo igualitário para todos, olhar as pessoas com otimismo. Eu não quero nada além da felicidade geral"- Oscar Niemeyer.
Apesar do discurso comunista, da fama de ser desapegado de dinheiro e pródigo, de ter doado diversos projetos e não ter acumulado fortuna, seus projetos custam altas cifras ao Estado: em 2007, cobrou 7 milhões de reais pelo projeto da nova sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, tendo sua empresa recebido 33,5 milhões de reais do governo federal, entre 1996 e 2008, apenas por projetos de obras em Brasília."
Para ele não há defesa. Comunista de gaveta. Cereja do bolo, intelequitual útil. Melhor só olhar para os prédios. Esses não falam. São poesia...calados.
Mas tiremos o Chico dessa.
Não tenho nada a ver com sua postura política. Afinal, democracia e liberdade é isso mesmo. Ele é favor...eu contra...mas nem por isso sua obra é menor.
Aliás, revisitando, redescobrindo Chico, sua obra é maior.
Não confundamos as coisas.
Embora Niemeyer diga "que só quer a felicidade geral", nunca tive notícia de alguém sendo tocado pela providência numa comunhão milagrosa com Deus na Catedral de Brasília.
Estive lá. Bela obra arquitetônica. Arquitetônica. De fora. Lá dentro, só com um sistema de refrigeração de primeira. Faz um calor dos infernos (epa, blasfêmia).
Já do Chico, é so ouvir uma de suas centenas de músicas. Toca a alma, faz a felicidade geral sem levantar um tijolo da construção.
Bom, não caiamos nessa beligerância exacerbada que transformou as opiniões contrárias em inimigas e dignas de exclusão ou eliminação. Essa postura é mais característica nos partidários do grão mestre Squid, sim.
Esse não é nosso discurso, não é o discurso liberal (SIM! LIBERAL![2] Vá de retro patrulhamento ideológico!).
Ponha algo no som e relaxe.
Tente "Retrato em Branco e Preto", "Quem te viu, quem te vê", "Pelas Tabelas", "Quando o Carnaval Chegar", "Pedaço de mim" ...
Me diga depois se vale a pena misturar as coisas.
_______________________
[1] Ver Tony Judt, Reflexões Sobre Um Século Esquecido 1901-2000 (RJ, 2008), p. 128
[2] O Liberalismo é um sistema político-econômico baseado na defesa da liberdade individual, nos campos econômico, político, religioso e intelectual, contra as ingerências e atitudes coercitivas do poder estatal.
Apesar de diversas culturas e épocas apresentarem indícios das ideias liberais, o liberalismo definitivamente ganhou expressão moderna com os escritos de John Locke (1632 - 1704) e Adam Smith (1723-1790). Seus principais conceitos incluem individualismo metodológico e jurídico, liberdade de pensamento, liberdade religiosa, direitos fundamentais, estado de direito, governo limitado, ordem espontânea, propriedade privada, e livre mercado.
A história do liberalismo abrange a maior parte dos últimos quatro séculos, começando na Guerra Civil Inglesa e continua após o fim da Guerra Fria. O liberalismo começou como uma doutrina principal e esforço intelectual em resposta as guerras religiosas, segurando a Europa durante os séculos 16 e 17, embora o contexto histórico para a ascensão do liberalismo remonta à Idade Média. A primeira encarnação notável da agitação liberal veio com a Revolução Americana, e do liberalismo plenamente explodiu como um movimento global contra a velha ordem durante a Revolução Francesa, que marcou o ritmo para o futuro desenvolvimento da história humana. Liberais clássicos, que em geral destacaram a importância do livre mercado e as liberdades civis, dominaram a história liberal no século após a Revolução Francesa. O início da Primeira Guerra Mundial e a Grande Depressão, porém, aceleraram a tendência iniciada no final do século XIX na Grã-Bretanha para um novo liberalimo que enfatizou um maior papel para o Estado melhorar as condições sociais devastadoras. No início do século XXI, as democracias liberais e as suas características fundamentais de direitos civis, liberdades individuais, sociedades pluralistas e o estado de bem-estar haviam prevalecido na maioria das regiões do mundo. O liberalismo defendia a descentralização politica. (FONTE: Wikipédia).
domingo, 14 de novembro de 2010
"Ando com minha cabeça já pelas tabelas"
O celular: a esposa batera o carro. Em meio aos arranjos para remediar a situação, ainda do escritório, o instant messenger desatou a piscar, intermitente. O Gerente. Algo saira errado com o transporte da última alteraçao de sistema que mandara para produção e a repercussão no Negócio atingira o ponto das reclamações disparadas a esmo de todas as plantas, como se o mundo estivesse acabando. Antes mesmo de digerir a segunda notícia e iniciar as providências foi abordado por um colega com mais uma: todos os testes de projeto no ambiente de aceitação haviam parado em consequência das alterações que fizera num programa compartilhado. A essa altura, já não era mais possível distinguir as solicitações, hierarquizá-las, estabelecer um plano de ação e resolver uma de cada vez. Aquilo já era um estouro de boiada.
O celular tocava, o fone do escritório também, o instant messenger piscando na tela e dois, três já o cercavam em seu cubículo, falando ao mesmo tempo. Atendeu o fone do escritório e disse a quem quer que estivesse do outro lado "que chamasse o seguro, pegasse um táxi e fosse pra casa". Ao celular respondeu sem pensar "I'm already verifying this out. I'll take the proper actions, promptly. Do not worry". No instant messenger digitou peremptoriamente: "voltem pra suas mesas e me deixem procurar a causa do problema em aceitação". Levantou-se e sem dirigir o olhar ou a palavra, como se não estivessem lá, passou pelos três que continuavam a fazer perguntas atrás dele. Provavelmente nem os viu. Foi até o café. Ligou o ipod no caminho e entre "...Claro que ninguém se toca com a minha aflição/Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela/Eu achei que era ela puxando o cordão/Oito horas e danço de blusa amarela/Minha cabeça talvez faça as pazes assim/Quando ouvi a cidade de noite batendo as panelas/Eu pensei que era ela voltando pra/Minha cabeça de noite batendo panelas/Provavelmente não deixa a cidade dormir..."[1] cantarolou com Chico.
Tomou um café, pensou na vida, voltou, sentou-se e, em 40 minutos, resolveu tudo.
O resto do dia seguiu sem maiores emoções.
Porém, mais tarde atendeu uma ligação, era o Gerente ligando do estrangeiro. Perguntado "what the hek did you mean with 'chamar o seguro'??? What did you talk to me in portuguese?", respondeu com uma pergunta:
- Sorry, what are you talking about? - O Gerente desistiu. O problema fora resolvido. Era o que interessava. Confused was, confused still.
Encontrou depois os três colegas, não ao mesmo tempo, querendo saber o que tinha feito pra resolver esse, aquele, o outro problema do teste. Se mostrou surpreso:
- O que???
Ficou por isso mesmo.
No computador fechou todos os instant messengers sem ler. Ligou pra casa e certificou-se que a esposa estava bem. Também ouviu dela uma pergunta semelhante a do Gerente, mas a questão agora era porque falara em inglês com ela.
- Como??? O que??? - Ela não se interessou mais por saber. Deixou passar. Resolvera tudo sozinha e estava exausta demais pra dar trela pra mais aquela bizarrice dele.
O dia acabou...
Colocou de novo o ipod e tomou o rumo de casa: "Quando ouvi a cidade de noite batendo as panelas/Eu pensei que era ela voltando pra/Minha cabeça de noite batendo panelas/Provavelmente não deixa a cidade dormir/Quando vi um bocado de gente descendo as favelas/Eu achei que era o povo que vinha pedir/A cabeça de um homem que olhava as favelas/Minha cabeça rolando no Maracanã/Quando vi a galera aplaudindo de pé as tabelas/Eu jurei que era ela que vinha chegando/Com minha cabeça já pelas tabelas/Claro que ninguém se toca com a minha aflição/Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela/Eu achei que era ela puxando o cordão/Oito horas e danço de blusa amarela/Minha cabeça talvez faça as pazes assim/Quando ouvi a cidade de noite batendo as panelas/Eu pensei que era ela voltando pra/Minha cabeça de noite batendo panelas/Provavelmente não deixa a cidade dormir/Quando vi um bocado de gente descendo as favelas/Eu achei que era o povo que vinha pedir/A cabeça de um homem que olhava as favelas/Minha cabeça rolando no Maracanã/Quando vi a galera aplaudindo de pé as tabelas/Eu jurei que era ela que vinha chegando/Com minha cabeça já numa baixela/Claro que ninguém se toca com a minha aflição..."[1].
É...
A melhor explicação as vezes é...
(...)explicar coisa nenhuma.
_________________________
[1] Pelas Tabelas - Chico Buarque
O celular tocava, o fone do escritório também, o instant messenger piscando na tela e dois, três já o cercavam em seu cubículo, falando ao mesmo tempo. Atendeu o fone do escritório e disse a quem quer que estivesse do outro lado "que chamasse o seguro, pegasse um táxi e fosse pra casa". Ao celular respondeu sem pensar "I'm already verifying this out. I'll take the proper actions, promptly. Do not worry". No instant messenger digitou peremptoriamente: "voltem pra suas mesas e me deixem procurar a causa do problema em aceitação". Levantou-se e sem dirigir o olhar ou a palavra, como se não estivessem lá, passou pelos três que continuavam a fazer perguntas atrás dele. Provavelmente nem os viu. Foi até o café. Ligou o ipod no caminho e entre "...Claro que ninguém se toca com a minha aflição/Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela/Eu achei que era ela puxando o cordão/Oito horas e danço de blusa amarela/Minha cabeça talvez faça as pazes assim/Quando ouvi a cidade de noite batendo as panelas/Eu pensei que era ela voltando pra/Minha cabeça de noite batendo panelas/Provavelmente não deixa a cidade dormir..."[1] cantarolou com Chico.
Tomou um café, pensou na vida, voltou, sentou-se e, em 40 minutos, resolveu tudo.
O resto do dia seguiu sem maiores emoções.
Porém, mais tarde atendeu uma ligação, era o Gerente ligando do estrangeiro. Perguntado "what the hek did you mean with 'chamar o seguro'??? What did you talk to me in portuguese?", respondeu com uma pergunta:
- Sorry, what are you talking about? - O Gerente desistiu. O problema fora resolvido. Era o que interessava. Confused was, confused still.
Encontrou depois os três colegas, não ao mesmo tempo, querendo saber o que tinha feito pra resolver esse, aquele, o outro problema do teste. Se mostrou surpreso:
- O que???
Ficou por isso mesmo.
No computador fechou todos os instant messengers sem ler. Ligou pra casa e certificou-se que a esposa estava bem. Também ouviu dela uma pergunta semelhante a do Gerente, mas a questão agora era porque falara em inglês com ela.
- Como??? O que??? - Ela não se interessou mais por saber. Deixou passar. Resolvera tudo sozinha e estava exausta demais pra dar trela pra mais aquela bizarrice dele.
O dia acabou...
Colocou de novo o ipod e tomou o rumo de casa: "Quando ouvi a cidade de noite batendo as panelas/Eu pensei que era ela voltando pra/Minha cabeça de noite batendo panelas/Provavelmente não deixa a cidade dormir/Quando vi um bocado de gente descendo as favelas/Eu achei que era o povo que vinha pedir/A cabeça de um homem que olhava as favelas/Minha cabeça rolando no Maracanã/Quando vi a galera aplaudindo de pé as tabelas/Eu jurei que era ela que vinha chegando/Com minha cabeça já pelas tabelas/Claro que ninguém se toca com a minha aflição/Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela/Eu achei que era ela puxando o cordão/Oito horas e danço de blusa amarela/Minha cabeça talvez faça as pazes assim/Quando ouvi a cidade de noite batendo as panelas/Eu pensei que era ela voltando pra/Minha cabeça de noite batendo panelas/Provavelmente não deixa a cidade dormir/Quando vi um bocado de gente descendo as favelas/Eu achei que era o povo que vinha pedir/A cabeça de um homem que olhava as favelas/Minha cabeça rolando no Maracanã/Quando vi a galera aplaudindo de pé as tabelas/Eu jurei que era ela que vinha chegando/Com minha cabeça já numa baixela/Claro que ninguém se toca com a minha aflição..."[1].
É...
A melhor explicação as vezes é...
(...)explicar coisa nenhuma.
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[1] Pelas Tabelas - Chico Buarque
sábado, 6 de novembro de 2010
Réquiem: da vida só o levaram morto!
A morte é tão inevitável quanto a vida. De fato. Ninguém escolhe nascer.
No entanto, alguns escolhem morrer por um ideal, missão ou sonho. Por ironia, esses por vezes terminam imortais.
Outros, simplesmente desistem de viver. Por antagonismo direto trilham o caminho do suicídio.
Embora recorramos às crenças e religiões como consolação em relação à morte de um ser amado ou à prospecção da nossa própria morte, o assunto permanece para a maioria de nós como um tabu ou frustração irremediável.
Da Wikipédia trago o seguinte:
"Do ponto de vista científico, não se pode confirmar nem rejeitar a idéia de uma vida após a morte. Embora grande parte da comunidade científica sustente que isso não é um assunto que caiba à ciência resolver, muitos cientistas tentaram entrar nesse campo estudando as chamadas "experiências de quase-morte" e o conceito de "vida", que se associa ao de "consciência". São consideradas duas hipóteses:
A consciência existe unicamente como resultado de correlações da matéria. Se esta hipótese for verdadeira, a vida cessa de existir no momento da morte.
A consciência não tem origem física, apenas usa o corpo como instrumento para se expressar. Se esta hipótese for verdadeira, certamente há uma existência de consciência após a morte e provavelmente antes da morte, também, o que induziria às tentativas de validação da reencarnação".
Eu cá, humildemente, considero a "utilidade" da morte em dois aspectos:
(i) Serve para confrontar-nos com nossa própria finitude; a finitude de nossas crenças e verdades absolutas, a relatividade de nossas leis e perspectivas acerca do que é certo ou errado, nossa própria pequenês, enfim;
(ii) Instigar em quem fica um sopro de vida - ou de morte - como consequência da perda de quem amamos ou apreciamos. Enquanto em alguns faz nascer a motivação e o exemplo em outros desencadeia diametralmente o oposto: o mote para a depressão do suicídio.
Diferentemente de Camus e seu 'Mito de Sísifo', não tenho a menor intenção (nem a sapiência) para embrenhar-me pelo assunto sob a luz da filosofia e/ou da psicologia do absurdo.
Na verdade só considero válida a opção (ii) até a parte da motivação e exemplo.
O suícídio, por outro lado, faz menos sentido para mim que a morte em si mesma.
No fim vivemos a vida na ironia de morrer um pouco a cada dia - nossa contagem regressiva.
(...)
Fui apresentado a ele por um ex-sócio, alguém que em teoria deveria ser meu amigo. O que aconteceu foi exatamente o contrário. Pelo tal ex-sócio nunca nutri uma amizade real pela mais absoluta falta de afinidades. Já por ele, a simpatia foi instantânea.
Não foi um herói que mereça longos discursos, homenagens e adaptações em sua história para acomodá-lo como um mito perfeito. Foi apenas humano. Amigo.
Suficiente!
Acometido por uma doença que continua a dizimar-nos sem parcimônia, viveu...e viveu...até o fim.
Lutou relegando os prognósticos médicos aos seus devidos lugares, ao vazio. E na verdade eles não significam nada para alguém que não desistirá de lutar. Nunca.
"Era seu conforto, da vida só o levariam morto".
Aconteceu hoje, inevitável.
Mas acho que ele ainda luta, agora para sempre, já que foi a luta a última reminiscência em sua consciência.
A ele minhas homenagens e um desabafo de quem anda desolado pela falta de crença e acometido pelo ceticismo do absurdo:
- És madeira de lei!!! Que te recebam outros que nos deixaram e que hoje talvez nos esperem. Que todos esperem por nós juntos, agora. Que Motinha, Tião, Fabeca, te recebam e o acolham.
Saiba, és madeira de lei!!! E se agora voltas ao pó, é porque só te levaram morto.
Aqui, viveste até o último suspiro. Foi até o fim...sem desânimo, sem arrependimento. Como tem que ser...
"Good night sweet prince"[1]...
___________________________
[1] Hamlet, Act V, Horatio, scene ii - Shakespeare
No entanto, alguns escolhem morrer por um ideal, missão ou sonho. Por ironia, esses por vezes terminam imortais.
Outros, simplesmente desistem de viver. Por antagonismo direto trilham o caminho do suicídio.
Embora recorramos às crenças e religiões como consolação em relação à morte de um ser amado ou à prospecção da nossa própria morte, o assunto permanece para a maioria de nós como um tabu ou frustração irremediável.
Da Wikipédia trago o seguinte:
"Do ponto de vista científico, não se pode confirmar nem rejeitar a idéia de uma vida após a morte. Embora grande parte da comunidade científica sustente que isso não é um assunto que caiba à ciência resolver, muitos cientistas tentaram entrar nesse campo estudando as chamadas "experiências de quase-morte" e o conceito de "vida", que se associa ao de "consciência". São consideradas duas hipóteses:
A consciência existe unicamente como resultado de correlações da matéria. Se esta hipótese for verdadeira, a vida cessa de existir no momento da morte.
A consciência não tem origem física, apenas usa o corpo como instrumento para se expressar. Se esta hipótese for verdadeira, certamente há uma existência de consciência após a morte e provavelmente antes da morte, também, o que induziria às tentativas de validação da reencarnação".
Eu cá, humildemente, considero a "utilidade" da morte em dois aspectos:
(i) Serve para confrontar-nos com nossa própria finitude; a finitude de nossas crenças e verdades absolutas, a relatividade de nossas leis e perspectivas acerca do que é certo ou errado, nossa própria pequenês, enfim;
(ii) Instigar em quem fica um sopro de vida - ou de morte - como consequência da perda de quem amamos ou apreciamos. Enquanto em alguns faz nascer a motivação e o exemplo em outros desencadeia diametralmente o oposto: o mote para a depressão do suicídio.
Diferentemente de Camus e seu 'Mito de Sísifo', não tenho a menor intenção (nem a sapiência) para embrenhar-me pelo assunto sob a luz da filosofia e/ou da psicologia do absurdo.
Na verdade só considero válida a opção (ii) até a parte da motivação e exemplo.
O suícídio, por outro lado, faz menos sentido para mim que a morte em si mesma.
No fim vivemos a vida na ironia de morrer um pouco a cada dia - nossa contagem regressiva.
(...)
Fui apresentado a ele por um ex-sócio, alguém que em teoria deveria ser meu amigo. O que aconteceu foi exatamente o contrário. Pelo tal ex-sócio nunca nutri uma amizade real pela mais absoluta falta de afinidades. Já por ele, a simpatia foi instantânea.
Não foi um herói que mereça longos discursos, homenagens e adaptações em sua história para acomodá-lo como um mito perfeito. Foi apenas humano. Amigo.
Suficiente!
Acometido por uma doença que continua a dizimar-nos sem parcimônia, viveu...e viveu...até o fim.
Lutou relegando os prognósticos médicos aos seus devidos lugares, ao vazio. E na verdade eles não significam nada para alguém que não desistirá de lutar. Nunca.
"Era seu conforto, da vida só o levariam morto".
Aconteceu hoje, inevitável.
Mas acho que ele ainda luta, agora para sempre, já que foi a luta a última reminiscência em sua consciência.
A ele minhas homenagens e um desabafo de quem anda desolado pela falta de crença e acometido pelo ceticismo do absurdo:
- És madeira de lei!!! Que te recebam outros que nos deixaram e que hoje talvez nos esperem. Que todos esperem por nós juntos, agora. Que Motinha, Tião, Fabeca, te recebam e o acolham.
Saiba, és madeira de lei!!! E se agora voltas ao pó, é porque só te levaram morto.
Aqui, viveste até o último suspiro. Foi até o fim...sem desânimo, sem arrependimento. Como tem que ser...
"Good night sweet prince"[1]...
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[1] Hamlet, Act V, Horatio, scene ii - Shakespeare
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